0# CAPA 15/7/15

ISTO
edio  2380 | 15.Jul.2015

[descrio da imagem: imagem do rosto de uma mulher jovem, tendo no nariz a bola vermelha usada pelos palhaos. Em cima da bola vermelha est escrito VOC SE SENTE ASSIM?]
O BRASILEIRO NO LIMITE DA PACINCIA
Desemprego, inflao e corrupo provocam insatisfao geral nos brasileiros, que clamam por mudana.

[outros ttulos: parte superior da capa]

NA MIRA DA PF
Policia Federal comea a investigar as doaes e os gatos da campanha que reelegeu Dilma Rousseff  presidncia.

DILEMA GREGO
Esta semana a premi alem Angela Merkel pode selar o futuro da Grcia e da zona do euro.

_______________________

1# EDITORIAL
2# ENTREVISTA
3# COLUNISTAS
4# BRASIL
5# COMPORTAMENTO
6# MEDICINA E BEM-ESTAR
7# ECONOMIA E NEGCIOS
8# MUNDO
9# TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE
10# CULTURA
11# A SEMANA
_____________________________

1# EDITORIAL 15.7.15

"UMA SOCIEDADE CANSADA E REVOLTADA"
Carlos Jos Marques, diretor editorial 

 notrio em todos os cantos do Pas, em qualquer roda de conversa, nas mais abastadas e nas menos favorecidas camadas da sociedade, um grau de insatisfao e de revolta crescente com o governo petista de Dilma. E no apenas as pesquisas demarcam, com seus implacveis 9% de popularidade, esse baixo grau de apoio. A frustrao est nas filas de supermercados, com as pessoas reclamando do preo das mercadorias; est nas praas e nas ruas, com o aumento das hordas de desempregados; est nas empresas que no conseguem mais pagar as contas e (muitas) fecham as portas. O brasileiro est cansado! Vergado pela baixa estima. Indignado com tamanho descaso, com a avalanche de mentiras lanadas para a perpetuao de um projeto de poder, com a deteriorao acelerada de valores morais essenciais, com os esquemas deplorveis de desvio do dinheiro pblico. O brasileiro no aprova o que foi feito em seu nome e quer um basta. Exige mudanas! Jamais compactuou com as manipulaes fiscais praticadas para esconder rombos, nem engolir passivamente as falsas promessas e os disparates lanados em campanha que  depois se viu - no guardavam qualquer elo com a realidade. Para a esmagadora maioria no h como tornar mais branda a constatao de que Dilma e seu partido enganaram o Pas. Tramaram expedientes nada republicanos para viabilizar seu objetivo maior de controle do Estado. E, de quebra, flertaram em vrios momentos com arbitrariedades (entre elas o intuito declarado de manipular a polcia e suas investigaes). Ao menos no que tange ao senso comum,  visvel a falncia de representatividade desse governo junto a seus governados. Em resposta s presses e ao funcionamento democrtico de instituies como o TCU, o TSE e a PF, a presidente recorreu ao surrado estratagema de falar em golpismo. Nada mais distante dos fatos. A adoo de instrumentos constitucionais e a efetiva atuao desses organismos compem a base do estado de direito. De nada valem bravatas como as verbalizadas por Dilma, que avisou em entrevista na semana passada: eu no vou cair. Eu no vou, eu no vou!. Quando muito, tais imprecaes denotam soberba, desespero e autoritarismo. Em pouqussimo espao de tempo  nada mais do que meses desse segundo mandato  a Nao se deparou com um cenrio tenebroso, consumida pela corrupo e ladroagem endmicas e por toda sorte de ineficincia administrativa. Vieram os aumentos abusivos de energia eltrica, de juros e de impostos associados ao descontrole inflacionrio e a piora dos sistemas de sade, transporte e educao, hoje sem verbas e capacidade operacional. No por menos, a presidente Dilma perdeu lastro e segue sitiada em seus delrios de prepotncia. Certamente jamais os eleitores vo esquecer o que esse governo e seu partido fizeram, e continuam a fazer, de errado, como um legado perverso para no ser repetido.
______________________________________________


2# ENTREVISTA 15.7.15

PLANTU - "A ARTE  MAIS FORTE QUE A INTOLERNCIA"
O cartunista francs diz que a luta depois da tragdia do Charlie Hebdo  contra a ignorncia, tanto a fundamentalista quanto a europia
por Gisele Vitria, de Paraty 

Durante a entrevista a ISTO, em Paraty, Plantu fez com exclusividade o desenho abaixo, definindo como v os brasileiros, com bandeiras nos olhos

Ao responder que trabalha h 43 anos no jornal francs Le Monde, o cartunista Jean Plantureux provoca risos ao brincar que tem 92 de idade. Plantu, como  conhecido, assina desde os anos 1970 os desenhos da primeira pgina do mais importante dirio da Frana. Na verdade com 63 anos de idade, ele comeou no Le Monde aos 20. Sua histria se confunde com a do humor poltico em Paris. Nunca pensou em trocar de jornal?, ISTO pergunta. Penso todos os dias. No  nada fcil.

"O juiz me deu ganho de causa porque entendeu que meu cartoon defende as crianas crists, que foram abusadas"

Faz mais de 40 anos que estou pensando nisso, diz ele. Em passagem pelo Brasil na semana passada, Plantu esteve na Festa Literria de Paraty (Flip), e emendou escalas no Rio, para exibio de um documentrio sobre cartunistas, entre os quais ele, e em Porto Alegre, onde palestrou. Desde 2006, est  frente da organizao Cartooning for Peace. Depois do ataque ao jornal Charlie Hebdo, o maior cartunista da Frana (hoje  facil dizer isso. Todos os outros morreram, ele brinca) refora que  preciso criar pontes entre as culturas.  

"O encontro com Arafat mudou minha vida. Pensava que encontraria um poltico, mas fui um baby- sitter com meus lpis"

Isto - Depois do ataque ao Charlie Hebdo, voc passou a ter medo?

Plantu - Foi uma tragdia para mim. Eu conhecia todos os cartunistas que foram mortos em janeiro. Sempre que estou com pessoas muulmanas, explico que os cartunistas do jornal Charlie Hebdo nunca quiseram ofender, nunca quiseram cometer uma blasfmia. Eles s queriam brincar, fazer piadas. Faz parte da nossa cultura na Europa. Mas no  a cultura dos fundamentalistas. Depois disso, ns criamos uma nova associao com Kofi Annan, na ONU, e juntamos cartunistas para imaginar o que seria o nosso futuro. Hoje temos de entender o mundo globalizado. Quando fazemos um desenho aqui h pessoas a 10 mil quilmetros que no vo entend-los.

Isto - Qual  a batalha agora?

Plantu - A batalha contra o fundamentalismo  uma batalha contra a ignorncia.  a ignorncia dos fundamentalistas quando eles no so capazes de entender nossos desenhos e tambm a nossa ignorncia na Europa em relao ao que eles tm cabea no Oriente Mdio. Na Europa, ns no temos informao do pensamento de culturas de outras populaes. Queremos construir uma ponte entre a religio e a opinio. Uma ponte entre culturas. Com nossas canetas ns temos o dever de construir essas pontes. E com respeito. 

Isto - Ficou perigoso ser cartunista?

Plantu - Em nmeros, no. Intolerncia no mundo no  o problema. H lugares onde isso  proibido e voc continua a fazer os cartoons. Em Medellin, na Colombia, eles tm o problema das Farc e o narcotrfico. H uma grande intolerncia l.  H anos o prefeito pediu a Botero que fizesse uma escultura numa praa. Um atentado destruiu a imagem e matou mais de 20 pessoas.  Botero sugeriu que se deixasse na praa a pea danificada, juntamente com uma nova. H cinco anos no h novos ataques. A arte  mais forte que a intolerncia. O humor  mais forte que a intolerncia. H ditaduras, mas ns fazemos o nosso trabalho. No Marrocos  proibido desenhar o rei, porque acredita-se que ele  descendente  do Profeta. Tenho um amigo que desenhou um anel numa mo, e todos entenderam que era o anel do rei. Mas ele no desenhou a face e contornou o problema. Em todo lugar onde h intolerncia, a arte  mais forte. 

Isto - Uma charge sua do Papa Bento XVI, representando uma cena de pedofilia, criou uma grande polmica. Como foi?

Plantu - Tive problemas com a Justia, mas tudo se esclareceu. O cartoon foi publicado no Le Monde h cinco anos. Um partido de extrema direita me processou, mas eu ganhei a causa. A Igreja no fez nada. Eu publiquei a charge e, uma semana depois, publicamos na revista de final de semana do Le Monde os bastidores com editores  no momento em que apresentei o desenho e os convenci a publicar. Levei dois dias para convencer o editor chefe, que ficou chocado.L argumentvamos que Bento XVI no fez nada contra a pedofilia e, assim, deixou as crianas desprotegidas. O juiz deu ganho de causa a mim. Fiz essa dissociao e mostrei que meu trabalho defende as crianas. O juiz entendeu que a charge defende as crianas crists. O processo durou cinco anos. 

Isto - H uma polmica no Brasil em torno de adesivo para tanque de gasolina dos carros com o rosto da presidente Dilma Rousseff  numa montagem que sugere uma posio sexual. Considera o adesivo ofensivo?

Plantu - Acho um pouco ofensivo, sim. Voc no acha?

Isto - Tambm acho. Mas qual  a sua opinio?

Plantu - No me interesso por esse tipo de humor. Acho fcil de fazer esse tipo de desenho de mulheres com motivao sexual. No acho graa. 

Isto - Poderia  comentar a diferena entre esse tipo de piada e a piada provocada por seu cartoom do Papa Bento XVI e a pedofilia?

Plantu - H uma grande diferena. H uma causa no meu desenho. A postura do Papa Bento XVI e as crianas violentadas na igreja. O Papa simplesmente mandou esses padres para outras parquias. Essa atitude foi atacada pela imprensa e pelas ONGs de direitos humanos. Bento XVI nunca quis fazer o trabalho dele de proteger as crianas. Eu fiz aquele trabalho para proteger as crianas. H dois problemas que atingem as crianas. O primeiro  o estupro. E o segundo  que ningum faz nada. No h alarde, barulho. So duas agresses s crianas.   injusto. Horrvel. Minha parte  protestar contra o que esto fazendo com as crianas dentro de igrejas. No  a mesma coisa que a montagem da Dilma.

Isto - O que viu de mais interessante na Flip, em Paraty?

Plantu - O que mais me impressionou e cativou foi a ateno do pblico, silencioso. Se eu levasse Chico Caruso ou Ziraldo para falar em  Paris,  no estou certo se eles seriam ouvidos por 800 pessoas escutando com tanta ateno. Uma vez estive em So Paulo e assisti a um show de Chico Buarque, a quem admiro, e fiquei impressionado com o pblico, que o acompanhava. Sinto uma energia a tal ponto que me provoca uma esperana no ser humano.

Isto - Quando esteve pela primeira vez no Brasil?

Plantu - Foi em 1986. Havia um filme sobre mim, no Rio. Eu encontrei meus amigos Chico e Paulo Caruso. E Chico me levou at Tom Jobim. Fomos a um bar no Leblon. Quando ele chegou, eu no tinha voz para pronunciar: Tom Jobim (imita uma voz engasgada). Ele falou comigo em francs, era risonho, e eu no dizia nada, petrificado. Voltei a Paris com partituras para entender como se tocava aquela forma de msica no violo. Com aquela partitura, tive um momento mgico. Com os acordes dissonantes da Bossa Nova eu entendi a cultura brasileira. 

Isto - Sente diferenas entre o Brasil de 30 anos atrs e o atual?

Plantu - Na Europa, se fala da ditadura na Argentina e no Chile, mas muito pouco da ditadura que aconteceu no Brasil. Os editores do Le Monde me pediam desenhos sobre El Salvador, Nicargua. Mas na poca, o que se falava era que o Brasil no era realmente uma ditadura. 

Isto - Qual o desenho que voc  faria do Brasil, hoje?

Plantu - Se eu fosse capaz,  desenharia todos os olhos dos brasileiros, cativados pelo que os  outros tm a dizer. (ele comea a desenhar na hora, e se desculpa por no ter as canetas para colorir as bandeiras. Esto faltando cores. No  uma obra de arte). Poderia brincar com a  bandeira nacional dentro dos olhos das pessoas. E acrescentaria a msica, pois gosto muito. (ele desenha uma nota musical com coraes nas pontas). Sempre achei isso do brasileiro, na maneira de ser, curioso do outro. Ns, da Europa, sempre temos algo a aprender. Na Frana, podamos ter aulas de amor e gentileza para aprendermos (com vocs) a ser mais atenciosos.

Isto - Qual  o cartoon que mais se orgulhou de ter feito?

Plantu - Gosto de mostrar o desenho que fiz com Yasser Arafat, quando a meu pedido, aps lhe oferecer um desenho inacabado de duas bandeiras, ele desenhou a bandeira de Israel e a da Palestina. Isso faz 24 anos. Depois, repeti o desenho sugerindo o mesmo a  Shimon Peres, em 1992.  (Dois anos depois, Arafat e Peres ganharam o prmio Nobel da Paz) Esse momento mudou a minha vida. Determinou o rumo do meu trabalho. O primeiro encontro, com Arafat, aconteceu na Tunsia e o segundo, com Peres, em Jerusalm. 

Isto - Como abordou Arafat?

Plantu - Foi Arafat quem me procurou. Ele me ligou e disse: Vem para Tunsia me encontrar. Quando nos encontramos sugeri dividirmos um desenho. O encontro durou quatro horas, levei uma cmera. Eu pensava que seria um encontro formal, com um homem poltico, mas no final era como se eu estivesse fazendo o papel de babysitter com meus lpis. Era como uma bab ao lado de um menino desenhando. Fizemos um outro desenho, pensando numa moeda para quando houvesse paz na Palestina. Arafat fez um desenho juntando o candelabro dos judeus, a cruz dos catlicos e a lua crescente, smbolo do islamismo. Ele reuniu as trs religies. 

Isto - Qual foi a repercusso?

Plantu - Quando voltei, estava muito orgulhoso, mas por nove meses eles guardaram o documento num armrio. O jornal no quis publicar.

Isto - Como no?

Plantu - Os jornalistas tinham uma cultura de que o trabalho do cartunista no era esse. Cada vez que eu ia at o editor de internacional perguntar por que ele no utilizava o desenho e contava aquela histria, ele respondia que tinha coisa mais interessante para publicar. Olhando por nove meses para o vdeo sobre o encontro, s vezes eu pensava comigo: talvez no seja mesmo importante. Depois, recebi um prmio internacional pelo documentrio que fiz com Arafat. E o jornal Liberation se interessou em fazer uma entrevista. Ento falei para o editor chefe  do Le Monde na poca: Amanh vo sair trs pginas no Liberation sobre aquilo que voc guardou no armrio por nove meses. Ele disse que se sasse eu seria demitido. Argumentei que fazia nove meses que ele tinha o material e no publicava. No dia seguinte quela conversa, finalmente o Le Monde publicou uma grande reportagem. 

Isto - E com Shimon Peres?

Plantu - Foi um ano depois. Quando fui a Jerusalm, o encontro foi amplamente divulgado, com cobertura da televiso francesa. 

Isto - Hoje voc  considerado o maior cartunista da Frana, certo?

Plantu - Hoje  fcil falar isso, agora que todos os outros foram mortos. Eles eram muito maiores. 

Isto - E voc se inspirava em algum deles particularmente?

Plantu - Quando eu era adolescente, era fascinado pelos desenhos do Cabu. Eu me inspirava bastante nele. E em Wolinski. Eu adorava seu estilo de fazer desenhos desrespeitosos.
_________________________________________


3# COLUNISTAS 15.7.15

     3#1 RICARDO BOECHAT
     3#2 GISELE VITRIA
     3#3 BRASIL CONFIDENCIAL
     3#4 MILTON GAMEZ - O DIABO VESTE DILMA

3#1 RICARDO BOECHAT
Com Ronaldo Herdy

Curto-circuito
Acabou a pacincia dos scios da Hidreltrica de Teles Pires, no Mato Grosso. Diante de sucessivos atrasos na entrega da linha de transmisso, que conecta a usina de 1.820 megawatts ao sistema eltrico nacional, Neoenergia, Furnas, Eletrobras e Eletrosul acertam detalhes para processar a Cepel e a estatal chinesa State Grid, responsveis pela obra. So 1005 quilmetros de cabos a partir da usina, pronta desde janeiro. O ministro Eduardo Braga falou em junho, prometeram para julho e agora comenta-se outubro. H quem duvide. Das cinco turbinas quatro esto instaladas, sendo trs j habilitadas pela Aneel, para operao comercial.

Infraestrutura
 Bolada
 Na reunio de quarta-feira 15 do comit de investimentos do FI-FGTS, os R$ 10 bilhes de verba do FAT para o BNDES finalmente sero liberados. Contudo, pode haver ressalvas sobre a aplicao da grana. Alguns conselheiros iro questionar os 10% deste montante destinados  Vale do Rio Doce, por exemplo. O argumento  que por seu porte a mineradora pode obter emprstimos no mercado, ainda mais para a sua consolidada linha frrea. Trs votos pr esta tese, entre 12 conselheiros,  veto na Vale.

Direito de famlia
 Sem preconceito
No futuro, isso vai ser visto com o mesmo espanto com que ns hoje encaramos a escravido, a ideia de inferioridade da mulher ou o sacrifcio de deficientes. A frase  do ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, sobre a resistncia de muitas pessoas ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Remdios
 Etiqueta dolorosa
 O Sistema Nacional de Controle de Medicamentos, cujas regras a Anvisa levou quatro anos para elaborar, e que entra em vigor daqui a cinco meses, passar por reviso total. O selo criado para ser aplicado na caixa dos remdios  to caro que em muitos casos supera o valor do produto.

Europa
 O preo da fama
 Os tradicionais txis licenciados de Londres, conhecidos mundialmente como Black cabs, vm perdendo a sisudez. O flagrante da foto  de um turista carioca, na tera-feira 7. A brasileira havaiana invadiu a terra da Rainha Elizabeth, estampando sandlias nas laterais dos veculos  cerca de 20 mil circulam pelas vias inglesas, muitos transportando celebridades. Por l, alis, o par do modelo mais simples custa cerca de 15 libras  uns R$ 75,00.  

TV Paga
 Quase l
 A NET, a maior operadora de tv por assinatura do Brasil, acabou de concluir a renovao dos contratos com as principais programadoras do Pas.  O preo pago por assinante a cada emissora caiu no novo acordo. Porm, a chiadeira dos executivos no  muita por dois motivos bsicos: o novo acerto vale at 2022 e a audincia est garantida, visto o crescente o gosto dos brasileiros pelos canais fechados de tv.

Publicidade
 Entre gigantes
 Na quinta-feira 2, por unanimidade, o Conar pediu mudanas na campanha Fatiador Gato, da F/Nazca Saatchi & Saatchi, feita para a Sadia.  que ao levar as peas da TV para a internet, a agncia colocou no texto termos superlativos ao presunto como incomparvel, o melhor e indiscutvel. Esse tipo de citao, na tica do conselho, s respaldado por pesquisas de opinio, o que no ocorreu. O processo foi instaurado por denncia da Seara. Como se v, a guerra entre a BR Foods e Grupo JBS segue acirrada no setor de alimentos.

Rssia 
 Ao p do ouvido
 Na visita de Dilma a Rssia, o presidente Putin voltou a oferecer os sistemas de defesa antirea Pantsir. At a proximidade das Olimpadas foi citada, como argumento de venda. O negcio supera US$ 1 bilho  no unanimidade nas nossas foras armadas. Crticos asseguram que, aps disparo, cada mssil deixa no raio de trs quilmetros uma cpsula incandescente de 1,5m, aproximadamente. Viva a paz!!

Varejo 
 Multicanal
 Comeou pelo Rio de Janeiro e So Paulo a ltima novidade da Via Varejo. A dona das Casas Bahia e do Ponto Frio liberou desde tera-feira 7 a retirada em suas 500 lojas fsicas nos dois estados os produtos comprados pela internet. No ato da transao o consumidor ter informao em qual unidade o bem est disponvel, o que traz praticidade e agilidade s compras.

So Paulo 
 Por ora, no!
 A crise hdrica da Regio Metropolitana de So Paulo poderia ser amenizada pelo uso de 10% da pura gua do rio Itapanha, o mais extenso do litoral paulista (40km). O projeto de aproveitamento no sair at o prximo vero, em funo de um inqurito do Ministrio Pblico estadual. Com 20 milhes de paulistanos de um lado e crustceos de outro, o promotor Ricardo Manuel Castro tomou a defesa dos invertebrados, ao exigir do governo paulista estudo de impacto ambiental da rea, em Bertioga, no litoral norte.

STJ 
 A vez do Nordeste?
 Em que pese o lobby paranaense, o desembargador federal Joel Paciornik pode no ser nomeado por Dilma Rousseff para o STJ, na vaga aberta com a aposentadoria do ministro Ari Pargendler. Primeiro da lista trplice (21 votos) na eleio do tribunal, contra o magistrado pesa ter disputado o cargo pelo TRF da 4 Regio. A corte tem sede no Paran, estado que acabou de conquistar cadeira no STF (Jos Fachin). Assim, a chance do segundo colocado Marcelo Navarro aumentou (TRF 5 Regio, Recife e 20 votos), com Fernando Quadros (do mesmo 4  TRF e 18 votos) fechando a lista. O escolhido relatar os pedidos de habeas corpus impetrados no STJ dos presos da Operao Lava Jato.

Economia
 X papagaio!
 A carteira de antecipao de 13 Salrio do Banco do Brasil atingiu R$ 1,8 bi de saldo em junho, com mais de 147 mil contratos ativos. O desembolso  12% maior do que no mesmo ms de 2014. O recurso  linha de crdito via solicitao nas agncias, internet, mobile, terminais de autoatendimento e correspondentes  mais um sinal de que os brasileiros esto fazendo de tudo para quitar dvidas j, temendo os efeitos perversos da alta de juros na economia.

Fast food
 Barbas de molho
 Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil e dono do Burger King, acompanha com lupa a situao de seu mais direto concorrente: a rede McDonald est no vermelho e j fechou mais de 500 lojas nos EUA, China e Japo este ano. O emagrecimento evidencia uma tendncia mundial, pela preferncia aos produtos naturais, deixando de lado as frituras tpicas dessas redes de comida rpida.

Previdncia privada
 Contra abusos
 Promete a audincia pblica que o STJ far dia 31 de agosto, s 9h, em Braslia, sob a batuta do ministro Paulo Sanseverino. O tribunal ouvir opinies antes de determinar em recurso repetitivo (obrigados a seguir) at que ponto participantes de planos de previdncia privada tm que pagar cotas extras ou aumento de mensalidades, quando a entidade a qual esto associados d com os burros na gua aps investimentos maus feitos no mercado.  Milhares de aes entopem os juzos hoje, questionando tal prtica.

Meio ambiente
 Ele merece
 Conhecido pelo seu trabalho intenso na conservao do meio ambiente, Ibsen de Gusmo Cmara ganhou reconhecimento pstumo na tera-feira 7, no Rio de Janeiro, com o lanamento do livro Vises de um passado remoto. A obra sobre paleontologia traz descries e desenhos feitos a bico de pena pelo prprio almirante, falecido no ano passado. A obra foi patrocinada pela Fundao Grupo Boticrio de Proteo  Natureza, instituio da qual ele foi conselheiro por mais de duas dcadas.


3#2 GISELE VITRIA
Gisele Vitria  jornalista, diretora de ncleo das revistas ISTO Gente, ISTO Platinum e Menu e colunista de ISTO 

Angel oficial
Las Ribeiro desfila para a grife de Victorias Secret desde 2010, mas s agora a top foi oficialmente coroada como Angel da marca, posto dos mais almejados entre as modelos. Veio o convite para integrar o time  isso  timo, diz. Las  uma das tops que se posicionou contra a forma de abordagem ao mundo da moda pela novela Verdades Secretas, da TV Globo. No  a novela em si, pois  fico. O que me incomoda  isso se tornar referncia para a realidade. Lutamos contra estes esteretipos, critica. Muitas modelos trabalham duro, saem cedo de casa e sofrem com saudade da famlia e a adaptao em um pas diferente.  preciso ficar claro para o espectador e para as meninas que sonham com esta carreira que as agncias realmente atuantes no mercado de moda no se envolvem com este tipo de coisa apresentada na novela. As modelos reconhecidas tm uma conduta sria e de respeito. A top fez uma passagem relmpago pelo Pas para curtir frias com o namorado, o jogador de basquete Jared Homan. Levei Jared para conhecer o Piau (terra natal da modelo).Quis mostrar a ele as belezas do Brasil.

"Ser bom para Cuba"
O escritor cubano Leonardo Padura, destaque em Paraty na Flip, voltou para Havana na tera-feira 7 com a expectativa de saber como ser, em 10 dias, a reabertura da embaixada americana em Cuba, marcada para 20 de julho. O ato vai oficializar a reaproximao entre os dois pases, que estavam de relaes cortadas desde 1961. Para ele, a reaproximao com os EUA ser boa para Cuba, mesmo que o ato ainda seja proforma. O autor de best-seller O Homem que Amava os Cachorros, sobre o exlio e o assassinato de Trotski, passeou de barco por Paraty antes de estrear na Flip, no ltimo dia da Festa Literria de Paraty. Na mesa que participou, ele contou que o ex-presidente Lula lhe disse ter se convertido em trotskista aps ler seu romance. Padura falou de literatura policial. Seu famoso personagem Mario Conde, o detetive que virou livreiro em seus primeiros romances policiais, vai ganhar um seriado na televiso cubana, com roteiros escritos por ele. Na passagem por Paraty, Padura reencontrou o amigo Frei Betto, que tambm palestrou na cidade.

L, eles conversaram sobre Cuba no coquetel na casa de Dom Joo Orleans e Bragana. Ser o encontro do Tsunami consumista americano com a austeridade cubana. Vai ser um choque, opina Frei Betto, que lana em 10 de agosto em So Paulo o livro Paraso Perdido  Viagens ao Mundo Socialista. A seguir, Padura fala a Isto:

ISTO  Como o senhor observa a reaproximao entre Cuba e Estados Unidos?
 Leonardo Padura  Acredito que seja benfico para Cuba. Creio que entre os dois pases  muito melhor ter uma relao, seno por dilogo mas pelo menos por princpio. Que essa relao exista por um carter diplomtico, e que no exista mais esta tenso que durante tantos anos marcou a relao de Cuba com os Estados Unidos.

ISTO  Como acredita que isso se construir?
 Padura  De qualquer maneira, isso por princpio  um processo. Vai demorar um tempo para que se construa um relao verdadeiramente normal, por haver o tema do embargo como centro disso tudo.

ISTO  Qual  o risco de Cuba ser americanizada?
 Padura  Eu no sei. Temos que esperar para ver o que acontecer no futuro. Temos que aguardar para ver como se desenrola a normalizao dessa relao. 

"Minha vida sempre foi de desafios"
Tarde de sol em Toronto, Canad, sede dos Jogos Pan-Americanos de 2015. Minutos antes da recepo  delegao brasileira na vila dos atletas, Carlos Arthur Nuzman ( dir.), presidente do Comit Olmpico do Brasil (COB) e do Comit Organizador dos Jogos Olmpicos Rio-2016, pede um caf enquanto aguarda a cerimnia. Entre um gole e outro, falou  ISTO. Nuzman no quis comentar os preparativos do Rio para a Olimpada. Alegou no saber dados de cabea, mas espera que os Jogos sirvam como uma virada para o esporte brasileiro. Que a cerimnia de recepo em Toronto no seja um pressgio. Ao lado do ex-jogador de vlei Bernard Rajzman, Nuzman 
 viu a organizao do Pan tocar o hino nacional errado ao hastear a bandeira do Brasil, aps a conversa com ISTO:

Legado para Brasil ps- 2016
O investimento nos atletas  o maior legado. O Pas acordou e entendeu que o esporte beneficia a juventude, d oportunidade a jovens sem recursos de despontarem. H atletas magnficos que no estaro na Olimpada em 2016, mas estaro em 2020 e 2024 e que j esto em competies internacionais. Esse trabalho  fundamental e no podemos perder.

Investimento em esporte nas escolas
A escola d oportunidade  criana que tem talento. H 10 anos organizamos os Jogos Escolares da Juventude, e 72% desses jovens foram aos Jogos Olmpicos da Juventude. Desses, 78 estaro aqui em Toronto. Esse  um resultado que conquistamos. Mas cuidar do esporte escolar no  uma atribuio do COB. S estamos fazendo porque sentimos necessidade. O governo deve pensar que esporte de base  onde eles podem preparar um Brasil inteiro de atletas.

Meta para o Brasil fica no top 10 das medalhas
Tenho que confiar que vamos conseguir. Adoro desafios. Minha vida sempre foi de desafios, desde que era jogador (de vlei). Aceitei o desafio de ir a uma Olimpada jogando, como fui. E voc se acostuma com desafios.


3#3 BRASIL CONFIDENCIAL
por Claudio Dantas Sequeira

Assine
Amigos, amigos; negcios  parte
O empresrio Jonas Suassuna brigou feio com Fbio Luis Lula da Silva, o Lulinha. Ele ficou irritadssimo ao ver seu nome no noticirio policial da Operao Lava Jato e teme que acabe sendo arrastado para dentro da investigao. Dono de um poderoso grupo de mdia e TI, o executivo virou scio de Lulinha na Gamecorp, hospeda o filho do ex-presidente num luxuoso apartamento em Moema e at emprestou seu nome na escritura do stio de Atibaia usado por Lula e que teria sido reformado pela OAS, uma das empreiteiras investigadas pelo juiz Srgio Moro. Suassuna diz a amigos que no suporta mais carregar Fbio nas costas.

Intuio feminina
 Fbio atribui o iminente rompimento de Jonas Suassuna a presses de sua mulher, Claudia Bueri Suassuna. A bela empresria carioca com quem o empresrio casou em 2013 sempre criticou a relao do marido com o cl lulista. Ela tambm foi contra a incluso da filha de Jonas, Bianca, no contrato social da Gamecorp.

Lulas e as laranjas
 Kalil Bittar tambm  scio, ao lado de Suassuna, do stio usado por Lula em Atibaia. Mas quem o conhece diz que leva, assim como seu irmo Fernando, uma vida bastante simples, sem ostentao, sugerindo que os filhos de Jacob no desfrutam de seus prprios bens.

Scio do barulho
 No rveillon de 2010, a PM de Atibaia prendeu em via pblica o empresrio Rogrio Machado. Ele portava uma escopeta 12, uma pistola 38, uma touca ninja e um radiotransmissor na frequncia da PM. At 2013, era scio de Nilza Fiuza, chefe do gabinete da Presidncia em So Paulo.

Leo, o apocalipse 
 Apesar do nervosismo com a delao de Ricardo Pessoa, da UTC, Lula teme mesmo a eventual colaborao de Leo Pinheiro, da OAS. Ele cuidava das despesas pessoais do presidente, de familiares e amigos. Metdico, Pinheiro tinha o hbito de registrar toda e qualquer ajuda concedida.

OAS e os fundos
 O MPF quer que Leo fale tambm dos negcios da Invepar, consrcio criado pela OAS com Previ, Petros e Funcef  cada um com 25%. A Invepar ganhou concesses pagando os maiores gios do mercado. Suspeita-se que o dinheiro foi usado para financiar campanhas do PT.

Nem tudo so flores
 Suassuna alega que at hoje no obteve retorno da parceria com Fabio, que lhe foi apresentado por Kalil Bittar, filho de Jacob, amigo de Lula. Em troca de investimento inicial na Gamecorp, Kalil teria lhe prometido acesso aos cofres pblicos e intermediou at um encontro com o ento presidente da Previ, Ricardo Flores, a quem se referia como Garden.

Encontros de Vaccari
 A fora-tarefa j tem detalhes de encontros do tesoureiro Joo Vaccari Neto com dirigentes dos fundos de penso. As reunies aconteciam em hotis e restaurantes de Rio e So Paulo, e residncias de grandes empresrios. Um deles gostava de convid-los para passeios de iate.

Quem ser o dono?
 Falando em iate, o polmico empresrio Daniel Birmann alega  Justia que o megaiate de R$ 60 milhes arrestado na marina de Salvador no  seu. Consta da ao que a embarcao seria da offshore Tango Bravo ou do investidor americano Evon Zartman Vogt III. Controlador da Zartman Services, ele foi scio de Birmann na produo de biodiesel a partir da mamona, iniciativa apoiada publicamente por Lula, que garantiu a compra da produo pela Petrobras. Condenado pela CVM  multa de R$ 280 milhes, Birmann foi cliente da consultoria de Z Dirceu.

Auditoria collorida
 A KPMG, que de 2008 a 2012 validou balanos da Petrobras que incluam gastos com projetos superfaturados por diretores em conluio com o clube do bilho, tem como scio Claudio Roberto Leoni Ramos, irmo de Pedro Paulo Leoni, acusado na Lava-Jato de intermediar propina para Fernando Collor, de quem foi ministro. Claudio e PP so scios na Globalbank.

Toma l d c
ADVOGADO-GERAL DA UNIO, LUIS INACIO ADAMS
ISTO  A resposta aos questionamentos do TCU pode reverter a tendncia de desaprovao das contas do governo?
 Adams  O TCU compreendeu que  necessrio o contraditrio para chegar a uma deciso equilibrada. Por enquanto, no h um convencimento formado, ento achamos que  possvel a aprovao das contas.

ISTO  Qual a linha de defesa do governo?
 Adams  Estamos demonstrando que essa prtica foi entendida como regular no passado. Em 2001, 2000, 2002 e assim por diante... Mas o TCU avalia mudar esse entendimento.  natural que se estabelea uma nova jurisprudncia, mas no pode ser retroativa.

ISTO  A presidenta Dilma precisa de mais prazo?
 Adams  No vemos necessidade de pedir mais prazo. Os elementos que ns temos esto bem sistematizados. Todas as reas do governo envolvidas esto trabalhando com dedicao. Vamos entregar as respostas no dia 22.

Rpidas
* Jovem, bonita, articulada e lder da juventude tucana, a deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO) foi eleita vice-presidente da legenda.  a primeira vez que uma mulher assume o cargo de cpula e h quem j cogite seu nome ao lado de Acio Neves numa eleio ps-impeachment.

* O juiz Srgio Moro est disposto a fornecer um roteiro de temas para serem abordados nas acareaes que a CPI da Petrobras comea a promover. A sugesto pode ajudar a sistematizar as perguntas dos parlamentares, que s vezes se perdem em meio a tantas denncias.

* Na busca pelo ressarcimento de ex-clientes do Banco Schahin, o advogado Oswaldo Fabris oficiou ao Banco Central a respeito do calote de ttulos emitidos pela offshore S&S Finance, citada na Lava-Jato. At agora, o BC silenciou.

* A mdium Adelaide Scritori, da Fundao Cacique Cobra Coral, desembarcou em Toronto para garantir cu limpo na abertura dos Jogos Panamericanos. Depois foi chamada para garantir chuvas e trovoadas na regio do Cinturo da Soja nos EUA. Agora, vai para a Europa.

Retrato falado
Na opinio do presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antonio Augusto Rodrigues, a Operao Lava Jato tem servido para mudar velhos hbitos da capital federal. Segundo ele, em pouco mais de um ano a movimentao de dinheiro em espcie caiu pela metade em Braslia, para desespero de doleiros, polticos e empresrios.

Uma guinada no PP
 O deputado Guilherme Mussi destronou de vez Paulo Maluf da presidncia do PP em So Paulo. Maluf no aceitara a derrota em dezembro e recorreu  Justia, mas perdeu. De olho em 2016, Mussi comea a oxigenar a legenda, aliando-se ao governo Alckmin e atraindo bons quadros polticos que haviam se afastado por divergncias com o velho comando.

A beno meu padim
 A advogada Juliana de vila Carreiro, filha do ministro do TCU Raimundo Carreiro, foi promovida a coordenadora da assessoria jurdica da presidncia do Tribunal de Justia do Distrito Federal e Territrios. A boa notcia chegou dias aps ela tirar a carteirinha da OAB. Para quem no lembra, Juliana foi citada no escndalo dos atos secretos do Senado, onde conseguira uma boquinha por indicao de Jos Sarney, padrinho de Carreiro. Ela perdeu o posto, mas foi acomodada no TJDFT. Agora  chefe.


3#4 MILTON GAMEZ - O DIABO VESTE DILMA
A presidente precisa dialogar mais e rugir menos. Quem sabe, com isso, poder sobreviver  fogueira das vaidades na qual se meteu.

O diabo est nos detalhes, costumava dizer o ministro da Fazenda do Governo FHC, Pedro Malan, durante a difcil fase de construo da moeda brasileira, o real. J se passaram 21 anos desde que os brasileiros se convenceram de que o real era para valer e colocaram a hiperinflao e o caos na economia para dormir nos livros de histria, mas o demo continua l, nos detalhes, a infernizar o Pas. Os trs principais pilares do real em sua maioridade  cmbio flutuante, responsabilidade fiscal e sistemas de metas de inflao  foram lentamente corrodos nos ltimos cinco anos pelo Governo Dilma. A petista e seus auxiliares diretos na Fazenda, no Planejamento e no Banco Central cederam a tentaes perigosas: manipularam o cmbio para disfarar a inflao, deram pedaladas fiscais para fechar contas desequilibradas e afrouxaram o controle monetrio. Brincaram com fogo e, com isso, destruram a competitividade da indstria, queimaram a confiana dos empresrios e investidores na responsabilidade fiscal e  o mal de todos os males  despertaram o drago da inflao, cujo bafo ameaa passar de 10% ao ano e corri o poder de compra dos brasileiros. Ah, os detalhes.

De nada adianta um discurso ufanista se os pecados cotidianos da poltica econmica enterram a credibilidade do Pas e o pessimismo predomina  a economia, no cu ou no inferno, nada mais  do que reflexo das expectativas das pessoas. Como numa partida de futebol contra a Alemanha, o sonho de um Brasil mais justo, com uma classe mdia predominante e pujante, comea a virar cinzas sob a forma de demisses de trabalhadores, projetos de investimento engavetados e uma moeda enfraquecida. H cheiro de enxofre no ar.

Enquanto arde nas chamas do debate poltico sobre o impeachment, a presidente Dilma Rousseff promete fazer o diabo para enfrentar a recesso da economia.

E o que isso significa, alm de virar caixeiro viajante e vender o Brasil para compradores incrdulos aqui e no exterior? Por mais que brade o tamanho da economia brasileira (a stima maior do mundo), as reservas internacionais abundantes (US$ 370 bilhes), um mercado consumidor respeitvel (quem mais oferece 200 milhes de clientes?), um setor produtivo diversificado (dominamos da soja aos avies da Embraer) e um sistema financeiro slido (nossos bancos so  prova de crises e continuam lucrando como sempre), Dilma no vai conseguir readquirir credibilidade no grito. O diabo tambm  sedutor quando quer conquistar mais uma alma desesperada e isso, depois das crises globais de 1997 em diante, empresrios e investidores sabem de cor. No existe caminho fcil e indolor na reconstruo de uma economia fragilizada.

Para resgatar a confiana perdida, a presidente precisa demonstrar mais seriedade em suas polticas pblicas e reforar os pilares do Plano Real. Pacotes que minimizam o impacto das demisses, como o anunciado na semana passada, com reduo de salrios e da carga horria dos trabalhadores, no bastam para livrar a economia do fogo eterno da recesso. O governo precisa tirar obstculos homricos do caminho do setor produtivo, como a carga tributria excessiva e complexa, a lentido da burocracia, a corrupo e a incompetncia de tantos setores do servio pblico. Dilma precisa dialogar mais (isso inclui ouvir de verdade o interlocutor) e rugir menos. Quem sabe, assim, poder sobreviver  fogueira das vaidades na qual se meteu.

Milton Gamez, jornalista,  diretor de Ncleo da Editora Trs e coordena as revistas Isto Dinheiro, Dinheiro Rural e MotorShow
_______________________________________


4# BRASIL 15.7.15

     4#1 PF MIRA A CAMPANHA DA PRESIDENTE
     4#2 DILMA FORA DE RBITA
     4#3 O BODE EXPIATRIO

4#1 PF MIRA A CAMPANHA DA PRESIDENTE
Documentos obtidos com exclusividade por ISTO mostram que supostos servios prestados pela grfica "fantasma" VTPB teriam sido bancados com dinheiro desviado da Petrobras para a UTC
Claudio Dantas Sequeira (claudiodantas@istoe.com.br)

No ltimo dia 29, o ministro Gilmar Mendes, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, tomou uma deciso que pode agravar a situao da presidente Dilma Rousseff, hoje emparedada por uma crise poltico-administrativa que se aprofunda a cada dia. O ministro enviou um ofcio  Polcia Federal solicitando a apurao de diversas irregularidades nas contas da campanha  reeleio. A diligncia levar a PF a entrar nas investigaes contra a presidente. No documento, ao qual ISTO teve acesso, Mendes pediu ateno especial  Focal Comunicao Visual. A empresa recebeu R$ 24 milhes na campanha. Envolvida tambm no escndalo do mensalo, a Focal foi contratada para montar os comcios da candidata nas eleies de 2014. No bojo da investigao da PF tambm est a VTPB, a grfica fantasma, uma espcie de escritrio virtual que recebeu quase R$ 23 milhes da campanha de Dilma para intermediar a contratao de servios de impresso de santinhos. Na documentao enviada por Mendes foi anexado ofcio de carter sigiloso contendo os achados de um relatrio de inteligncia elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) a respeito da VTPB. A existncia de comunicaes de movimentao atpica pode indicar crime de lavagem de dinheiro. A iniciativa de Gilmar abre mais um flanco para um possvel afastamento da presidente Dilma. Embora j haja um processo em curso no TSE destinado a apurar irregularidades na campanha, a entrada da PF na investigao pode agregar novos elementos ao caso.


4#2 DILMA FORA DE RBITA
A presidente leva o tema do impeachment para dentro do Palcio e d sinais claros de que o governo est no ar e no sabe o que fazer. Enquanto isso, a oposio v crescer no Congresso o bloco dos que querem o afastamento de Dilma
Josie Jeronimo (josie@istoe.com.br)

Na ltima semana, em reportagem de capa, ISTO identificou que as condies para um possvel afastamento da presidente Dilma Rousseff comeavam a se desenhar. Os acontecimentos subseqentes evidenciaram o clima pr-impeachment. No se falou em outra coisa no meio poltico, nos tribunais, nas redes sociais e nas ruas, cada qual com o seu parecer. Mas se houve um retrato mais bem acabado do estado terminal do governo, este foi a entrevista da presidente Dilma Rousseff. Ao responder aos questionamentos de jornalistas da Folha de S. Paulo, na sequncia de uma reunio de emergncia do governo destinada a discutir justamente a atmosfera de impeachment, Dilma conseguiu cometer o mais crasso erro poltico para um governante em perigo: levou o tema do prprio afastamento para dentro do Palcio do Planalto. Ao confrontar a constatao dos reprteres de que muitos queriam derrub-la, a presidente disse: Eu no vou cair. Eu no vou, eu no vou. Isso  moleza. As pessoas caem quando esto dispostas a cair. No estou. Poltico experimentado, o senador Romero Juc (RR) traou um paralelo com o comportamento do ex-presidente Fernando Collor, antes de ser apeado do poder: A presidente Dilma deu uma de Collor, chamou a crise para si.

Em reportagem de capa, na ltima semana, ISTO detectou o aprofundamento da crise poltica, que pode levar ao impeachment

Como j  de praxe, nas mais recentes intervenes de Dilma, os equvocos no cessaram e mostraram uma presidente completamente fora de rbita. Na mesma entrevista, ao afirmar no tem base para eu cair. Vem tentar, Dilma fez uma espcie de desafio ameaador aos rgos de fiscalizao e controle como o TCU e o TSE. Em seguida, depois de classificar de golpista o comportamento de opositores, reconheceu as manobras fiscais feitas pelo governo  prtica de atrasar de forma proposital o repasse para bancos pblicos e privados na tentativa de esconder o rombo na contas pblicas. A justificativa apresentada pela presidente, no entanto, foi prosaica, como se um erro justificasse o outro: O que ns adotamos foi adotado muitas vezes antes de ns, disse.

AS DECLARAES DE DILMA NO FORAM BEM RECEBIDAS NO TCU E PROVOCARAM MAL ESTAR ENTRE OS ALIADOS DO GOVERNO

As declaraes de Dilma, bem como o seu tom, em vez de dissiparem as nuvens pesadas que rondavam o Planalto e reanimar a base aliada, turbinaram ainda mais as conversas sobre o seu afastamento e aprofundaram a crise. Para o professor do Insper, Carlos Melo, Dilma no acertou nem no momento nem no contedo. Ela estava muito acuada. H um clima de desnimo, acrescentou Paulo Baa, cientista poltico da UFRJ. Integrantes de partidos aliados, incluindo o PT, criticaram a pegada autossuficiente e a empfia de Dilma na entrevista, como se os desdobramentos que levam a um possvel afastamento dependessem nica e exclusivamente dela. No TCU, as palavras da presidente foram recebidas com indignao. Aqui no tem carteirada, afirmou um ministro do tribunal. O relator do processo contra Dilma no tribunal, ministro Augusto Nardes, foi contundente: Esta  uma questo tcnica do tribunal de contas. O governo no precisa de um debate poltico, mas de um bom advogado, disse Nardes. Os integrantes do TCU no reagiram apenas s afirmaes da presidente. Incomodaram sobremaneira as gestes do Palcio do Planalto no sentido de pressionar a corte a votar pela absolvio de Dilma. O TCU conta com nove ministros. Desses, trs esto certo da rejeio das contas da presidente: o relator, Augusto Nardes, Bruno Dantas e Jos Mcio Monteiro. Apesar de ser amigo do ex-presidente Luiz Incio Lula da Silva, se Mcio aprovar as conta de Dilma colocar em risco seu prprio trabalho no processo de pedaladas fiscais. Em seu voto, o ministro pernambucano apontou que a presidente desrespeitou a lei de responsabilidade fiscal ao usar recursos de bancos pblicos para pagar despesas do governo. Trs ministros devem votar pela aprovao com ressalvas: Raimundo Carreiro, Benjamin Zymler e Vital do Rego. Assim, a presso do Planalto recai sobre os indecisos Walton Alencar e Ana Arraes. Em um cenrio de diviso, o presidente Aroldo Cedraz pode decidir o futuro de Dilma. Durante a semana, os tucanos alertaram sobre a tentativa de Dilma de intimidar a atuao dos tribunais. Na verdade, o discurso golpista  o do PT, que no reconhece os instrumentos de fiscalizao e de representao de uma sociedade em uma democracia, afirmou o presidente do PSDB, senador Acio Neves (MG). A possvel rejeio das contas do governo, pelo TCU,  um dos caminhos que podem levar  abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma. Apesar do assdio sobre os ministros do tribunal, o governo avaliava no final da ltima semana que as chances de condenao de Dilma no tribunal haviam aumentado. Diante desta constatao, o Planalto desencadeou uma operao na Cmara e no Senado para angariar apoios a uma eventual deciso desfavorvel  petista.  que se as contas do governo forem reprovadas no TCU o assunto segue para anlise no Congresso.

No TSE, outro foro que pode votar pelo afastamento da presidente, a situao de Dilma tambm no  confortvel. Na ltima semana, chegaram s mos do ministro Joo Otvio de Noronha, corregedor que analisa a ao que investiga Dilma por abuso de poder poltico e econmico, dezenas de emails que descrevem em detalhes a presso sofrida pela cpula do Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada (IPEA) durante as eleies de 2014. As mensagens trocadas de agosto a outubro envolvem funcionrios da Diretoria de Estudos Sociais, o presidente do instituto  poca, Sergei Soares, e o ento ministro da Secretaria de Assuntos Estratgicos, Marcelo Neri. Os servidores estavam sendo pressionados a adequar nmeros oficiais ao discurso de campanha de Dilma, que mostravam um cenrio rseo  populao. Projees sobre reduo da extrema pobreza foram usadas como se fossem resultados de pesquisas. Irritado com a utilizao de dados forjados em nome do IPEA, o diretor do departamento de Estudos Sociais Herton Ellery Arajo pediu exonerao no dia 13 de outubro. Para evitar sua sada e um escndalo s vsperas do segundo turno das eleies, o ministro Nri, mandou um email sob o ttulo de cuidado para o funcionrio, no dia 14. Pensa com carinho na minha proposta. Ao mesmo tempo preservamos a instituio e as pessoas, inclusive voc, escreveu Neri.

ALM DO PSDB, PRXIMAS MANIFESTAES CONTRA DILMA DEVERO TER O APOIO DO PTB, PSB E SETORES DO PMDB

SEMELHANAS COM 1992 - Enquanto o PSDB se aproxima dos movimentos de rua, Romero Juc, do aliado PMDB, diz que Dilma "d uma de Collor"

Para que a chama do impeachment permanea acesa at a concluso dos processos no TCU e no TSE, a oposio aposta na mobilizao popular. Conforme apurou ISTO, os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Cssio Cunha Lima (PSDB-PB) ficaram encarregados de fazer a ponte com os movimentos de rua, que marcaram para o dia 16 de agosto  mesmo dia em que os caras pintadas, em 1992, ocuparam as principais avenidas do Pas  a nova grande manifestao contra a presidente Dilma. Em maro, o partido no encampou os protestos para evitar dar conotao partidria  insatisfao popular. Desta vez, a legenda pretende agir de modo diferente. Porm, ao resolver dialogar com os movimentos sociais o PSDB decidiu que a contribuio do partido no ser a tarefa de arregimentar militantes e sim a de propor as bandeiras a serem empunhadas pelos lderes dos movimentos. Um dos motes ser No vamos pagar a conta do PT, numa referncia  crise econmica em que se encontra o Pas. Articulados com o PSDB, os movimentos tambm defendero a renncia de Dilma e a realizao de novas eleies, alm do impeachment. O PTB, o Solidariedade e setores do PMDB tambm ensaiam ir para as ruas.  esquerda, o protesto pode ganhar a adeso, ainda, do PSB. A cpula do partido  simptica s manifestaes. No concordamos com a ideia de que impeachment seja golpe. Dependendo do aprofundamento da crise, vamos analisar e tomar uma deciso. A fragilidade de Dilma  semelhante ao perodo pr-impeachment de Collor, afirma Carlos Siqueira, presidente do PSB.


4#3 O BODE EXPIATRIO
Ida do ministro Jos Eduardo Cardozo  CPI atende aos interesses do Planalto, do PT e de Lula, mas estratgia pode representar um tiro no p

Numa ao de bastidor com claras digitais do Palcio do Planalto e do ex-presidente Lula, o ministro da Justia, Jos Eduardo Cardozo, acabou rifado pelo PT na ltima semana. Em uma votao rpida, a CPI da Petrobras aprovou na quinta-feira 9 a convocao de Cardozo para prestar depoimento ao colegiado. O acordo que possibilitou a aprovao da ida do ministro da Justia  CPI passou pelo relator da CPI, o deputado Luiz Srgio (PT-RJ) que no agiu sem antes combinar com os russos  leia-se o Planalto e o ex-presidente Lula.

Ao Planalto, o acerto foi conveniente, pois poupou constrangimentos maiores aos ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e da Comunicao Social, Edinho Silva. Ambos estavam na iminncia de serem chamados para depor, mas saram da lista em troca do depoimento de Cardozo. Na mesma operao quem tambm se safou foi o ex-ministro Jos Dirceu. A possibilidade de ser aprovado o requerimento de sua convocao, se fosse posto em votao, era muito grande, uma vez que o PMDB j tinha mostrado disposio em apoi-lo. Para Lula, a combinao que incluiu Cardozo entre os depoentes evitou a ida de Paulo Okamotto  CPI, fiel escudeiro e principal assessor no Instituto que leva o nome do ex-presidente.

O chamado do ministro da Justia atendeu ainda uma ala do PT mais ligada a Lula que tem se queixado bastante, nos ltimos dias, da postura de Cardozo em relao ao que chama de perda de controle das aes da Polcia Federal. Nos bastidores, alguns petistas tentam minar o ministro e demonstram insatisfao com os chamados vazamentos seletivos. Como se percebe, em meio  crise poltica, o ministro tornou-se o bode expiatrio perfeito. A estratgia, no entanto, pode representar um tiro no p do governo. A oposio quer aproveitar o depoimento do ministro para bombarde-lo de questionamentos a respeito do esquema de corrupo na Petrobras e sobre seus encontros com advogados de empreiteiras investigadas.
_______________________________________________


5# COMPORTAMENTO 15.7.15

     5#1 PROIBIDAS DE SEREM MULHERES
     5#2 JUSTIA TARDIA
     5#3 O SUPER SURF VOLTOU
     5#4 LEGIO ESTRANGEIRA

5#1 PROIBIDAS DE SEREM MULHERES
O primeiro retrato j feito no Pas sobre as adolescentes presas revela que, no dia a dia, elas so privadas de usufruir de itens ligados  feminilidade, como maquiagem, e at de absorventes higinicos. Tm menos visitas ntimas e so mais abandonadas 
Fabola Perez (fabiola.perez@istoe.com.br)

Distrada com um pedao de tecido e uma agulha nas mos, S. B., 17 anos, borda seu nome enquanto espera o dia passar. Sentada nas escadas que levam  quadra de esportes da unidade socioeducativa Chiquinha Gonzaga, em So Paulo, a menina de riso fcil est presa h oito meses por roubo e trfico de drogas. O corpo magro e mido se esconde atrs do moletom azul marinho. S.  uma das poucas internas que usa o cabelo solto. Os fios cacheados levemente cados sobre o rosto roubam um pouco de sua concentrao. A jovem interrompe o bordado cada vez que se lembra como era a vida no trfico. O silncio e a expresso cabisbaixa, no entanto, vm quando fala da famlia. Minha me nunca veio me visitar. O maior medo da garota  que seu filho, G. L. C., de um ano, no a reconhea mais. Estou perdendo o comeo da vida dele e no sei quando vou embora daqui, diz. Meus avs trazem ele todo domingo, mas ele no me reconhece, ento entrego na mo de Deus.

INTERNA - B.F.S., 15 anos, est h quase um ano na unidade Chiquinha Gonzaga, em So Paulo, por roubo e trfico de drogas. Uma de suas formas de matar o tempo  bordar

S.  uma das 578 meninas que cumprem medida socioeducativa nas unidades de todo o Pas destinadas s adolescentes e que, de forma geral, compartilham a mesma realidade: por causa da absoluta falta de ateno s necessidades femininas, as garotas hoje encarceradas no Brasil so proibidas de serem mulheres e, ao mesmo tempo, recebem punies extras - no dadas aos meninos - exatamente por isso. Esta  a principal concluso que se tira a partir da interpretao da pesquisa Dos espaos aos direitos  A realidade da ressocializao na aplicao das medidas socioeducativas de internao das adolescentes do sexo feminino em conflito com a lei nas cinco regies, coordenada pela advogada Marlia Montenegro Pessoa de Melo, professora da Universidade Catlica de Pernambuco. Realizado nos estados de So Paulo, Pernambuco, Par, Distrito Federal e Rio Grande do Sul, o levantamento foi encomendado pelo Conselho Nacional de Justia e  o primeiro retrato obtido no Pas sobre as condies da internao das jovens brasileiras. O confinamento para as mulheres  feito em sistemas pensados a partir da lgica masculina, afirma Marlia.

O primeiro impacto deste equvoco  o sistemtico ataque  feminilidade. Na maioria das unidades avaliadas, no h espelhos  caso das instalaes de Pernambuco, do Par e do Distrito Federal. No sistema prisional, esse item  proibido. Trata-se de uma questo polmica. H especialistas que defendem a proibio, uma vez que podem facilmente ser transformados em armas ou serem usados por elas contras elas prprias. Mas h quem sustente que isso vale para as presas adultas, e no para as adolescentes. Essas meninas podem passar at trs anos sem se ver. Isso prejudica demais a autoestima, diz Marlia. A soluo seria oferecer espelhos de plsticos, como os fornecidos em So Paulo. No Rio Grande do Sul, esto sendo oferecidos espelhos de vidro.

ROTINA - Na mesma instituio, menor se encarrega da faxina enquanto cuida do filho.  o nico espao do pas destinado a abrigar mes e filhos

Faltam s meninas outros itens fundamentais para a construo de uma identidade feminina. Batons, esmaltes e perfumes s so autorizados em dias especiais, batizados de dias da beleza. Nas unidades nas quais elas usam uniforme, a roupa  padronizada (camiseta e cala e blusa de moletom).  igual a dos meninos. Ou seja, passa longe de um corte mais feminino. Nada que individualize as meninas  permitido. Em vrios centros, at o elstico de cabelo  igual, critica a pesquisadora.

As conseqncias de serem privadas de algo to importante para as mulheres  o cultivo da imagem, da vaidade  so devastadoras. Seis meses depois, elas perdem as caractersticas femininas e vo se masculinizando, observa a advogada. Emagrecem, seu cabelo se deteriora e elas perdem seu lado mais emotivo. Algumas vezes, o processo muda a orientao sexual.  o homossexualismo temporrio. Elas se envolvem com outras meninas durante a internao, diz Berenice Gianella, presidente da Fundao Casa, de So Paulo, responsvel pelas unidades destinadas s jovens no estado.

O exerccio da sexualidade tambm sofre restries em intensidade maior do que as impostas aos meninos. A pesquisa apontou que em nenhuma unidade as jovens estavam autorizadas a receber seus parceiros, mesmo nos casos em que a garota possua unio estvel.  uma violao  sexualidade, como se houvesse um nus por ser mulher, diz Marlia. O direito  visita ntima  para homens e mulheres   concedido aps avaliao por um juiz e considerado parte do processo de ressocializao. A Justia costuma ser mais rigorosa com as meninas, conta Gisleine Silva, assistente social da unidade Chiquinha Gonzaga.

Tambm praticamente no h espao para o desfrute da maternidade. A unidade Chiquinha Gonzaga  a nica que conta com um espao fsico para abrigar gestantes e mes que acabaram de dar  luz, o Programa de Acompanhamento Materno-Infantil (Pami). L, G. C., 15 anos, por enquanto consegue cuidar do filho nascido h cerca de quinze dias. H sete meses no lugar, a menina no gosta de falar sobre o que a levou  unidade. Diz apenas que est arrependida. Parei de escutar os conselhos dos meus pais, fiquei suscetvel s influncias dos amigos e do namorado e a partir da minha falta de cuidado me trouxe para c. Agora no d para mudar o passado.

A ausncia de um olhar especial para as peculiaridades femininas chega muitas vezes ao extremo de no dar s garotas absorventes higinicos quando esto menstruadas.  o que ocorre na unidade de Santa Maria, no Distrito Federal, que no oferece o item por falta de previso oramentria. A diretoria da unidade diz que tenta reverter a situao. O bsico que eles oferecem de higiene  papel higinico, pasta, sabonete e s, diz uma das garotas ouvidas pela pesquisa. O restante dos produtos pode ser levado por familiares.

SOLIDO - A palavra tatuada no brao acaba sendo uma lembrana dolorosa do abandono do qual as meninas so vtimas. as garotas quase no recebem visitas de familiares

Ao mesmo tempo, as meninas tambm acabam sendo vtimas de estigmas que ainda persistem em relao s mulheres. Nas unidades destinadas aos garotos, eles no so obrigados a fazer faxina em todas as dependncias das unidades. As meninas so. De acordo com o estudo, no Par, Rio Grande do Sul e Pernambuco, as garotas relatam que fazem a limpeza em tudo, sob pena de cumprir sanes disciplinares. Elas limpam dormitrios, salas e at as diretorias, afirma Marlia. O abandono familiar tambm atinge mais as jovens do que os garotos. Elas recebem poucas visitas. H uma decepo maior dos familiares, como se as garotas tivessem rompido com um padro esperado de boa moa, diz a advogada. O esquecimento tambm vem dos parceiros. Os companheiros no esto dispostos a enfrentar as dificuldades impostas s visitas, diz Berenice Gianella.

Em geral, as garotas atuam em papis secundrios no crime. De acordo com o levantamento, o trfico de drogas  o delito mais recorrente entre os motivos que levam ao encarceramento.  o caso das menores S.B., 17 anos, e de B. F. S., de 15 anos, internadas na unidade Chiquinha Gonzaga, em So Paulo. S. est internada h oito meses. Chegava a tirar de R$ 3 mil a R$ 4 mil toda sexta-feira no trfico. B. F. S. h quase um ano. Minha me traficava quando eu era pequena. Eu comecei no trfico com um amigo do meu irmo. O dinheiro vinha fcil, que nem gua. Depois comecei a roubar casas e carros, diz B. tambm entretida com o bordado de seu nome. Em boa parte das unidades avaliadas, pouco se oferece de novos caminhos s meninas. Sobretudo nos estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, as atividades profissionalizantes so precrias e as garotas passam a maior parte do tempo sem fazer nada. Elas costumam dizer: eles no esperam de mim grande coisa. Se eu souber fazer bem uma faxina, uma unha est bom, relata Marlia.


5#2 JUSTIA TARDIA
Quase 40 anos depois, sete acusados pela morte do operrio Manoel Fiel Filho durante a ditadura so denunciados pelo Ministrio Pblico
Raul Montenegro (raul.montenegro@istoe.com.br)

Morto pela ditadura em 17 de janeiro de 1976, o operrio Manoel Fiel Filho poder finalmente ter justia quase 40 anos depois de seu assassinato. O Ministrio Pblico Federal em So Paulo denunciou sete agentes do regime acusados de contribuir com o homicdio, entre eles Audir Santos Maciel, ex-chefe do DOI-Codi, rgo de represso criado durante o perodo. De acordo com a Promotoria, ele deu as ordens que culminaram na morte de Fiel Filho. Detido um dia antes na fbrica onde trabalhava, o metalrgico foi torturado e estrangulado. O Exrcito alegou que o trabalhador se suicidou com as prprias meias em sua cela. Detalhe: colegas afirmam que ele calava chinelos quando foi levado. Alm de Maciel, um tenente, um delegado, dois carcereiros e dois mdicos que teriam falsificado o atestado de bito foram denunciados.

HISTRIA - A verso oficial foi a de que Fiel Filho havia se suicidado. Na verdade ele morreu aps tortura

Fiel Filho era membro do Partido Comunista Brasileiro. Seu assassinato ocorreu meses aps a morte do jornalista Vladimir Herzog, sob circunstncias parecidas. Os eventos deflagraram o processo que levou  redemocratizao do Pas. Na poca, o ento presidente da Repblica, general Ernesto Geisel, demitiu do Comando do II Exrcito, responsvel pelo DOI-Codi, o general Ednardo DAvila, um dos representantes da chamada linha-dura, que se opunha  abertura democrtica. Um ano depois, demitiu o general Sylvio Frota, lder da ala militar interessada em manter intocado o regime ditatorial. Geisel nunca foi contra a tortura, diz a historiadora Dulce Pandolfi, da Fundao Getlio Vargas. As demisses aconteceram porque ele considerou uma besteira expor o regime num momento em que havia presso da sociedade.

No  a primeira vez que se tenta levar  Justia responsveis por mortes na ditadura. O Ministrio Pblico argumenta que se tratam de crimes contra a humanidade, portanto imprescritveis e impassveis de anistia. Mas o caminho para a punio  tortuoso. O Supremo Tribunal Federal suspendeu recentemente, at julgamento do mrito, uma ao contra acusados pela morte do ex-deputado Rubens Paiva, em 1971. Os defensores dos militares pleiteiam o fim da ao com base na Lei da Anistia. J o coronel reformado Carlos Alberto Ustra, primeiro militar reconhecido como torturador, ser julgado por ocultao de cadver. Essas decises podem mudar nossa cultura, que ainda hoje convive com torturas dentro de delegacias, afirma Dulce. 


5#3 O SUPER SURF VOLTOU
Maior circuito nacional de surf do mundo volta s praias em meio a Brazilian Storm, expresso que define o melhor momento da histria do esporte no Pas

O Brasil tem hoje os melhores surfistas do mundo. Adriano de Souza, o Mineirinho, est em primeiro lugar no ranking mundial. Filipe Filipinho Toledo, em segundo. Junto do atual campeo do mundo, Gabriel Medina, os dois fazem parte da gerao intitulada Brazilian Storm (Tempestade Brasileira) por seu timo desempenho sobre as pranchas. Para melhorar ainda mais a qualidade do esporte no Pas, a boa notcia  a to esperada volta do Oi Super Surf ao Circuito Brasileiro Profissional.

Considerado o maior campeonato de abrangncia nacional de todo o mundo, o Super Surf reunir, na edio de 2015, atletas de vrias geraes durante quatro etapas. A realizao do evento est a cargo da editora Rocky Mountain, da produtora Casa da rvore e da Abrasp (Associao Brasileira de Surf Profissional). O Brasil vive o melhor momento do surf de sua histria, e a Rocky Mountain, que edita a revista lder no segmento, a Hardcore, no poderia deixar de impulsionar ainda mais o esporte, disse Caco Alzugaray, presidente executivo da Editora Trs e publisher da editora Rocky Mountain.

A abertura do torneio acontece entre os dias 15 e 19 de julho na praia de Maresias, em So Sebastio, no litoral de So Paulo. Para essa fase esto confirmados 160 surfistas, entre eles Samuel Pupo, de apenas 14 anos e tido como uma das promessas brasileiras. O Super Surf  a base para que jovens talentos amaduream.  desta fonte que nascem os novos Brazilian Storm, diz Evandro Abreu, presidente da Casa da rvore.

De fato, nos anos em que havia sido realizado at agora, entre 2000 e 2009, o Super Surf serviu como referncia para as estrelas que agora brilham nas ondas mundo afora. A gerao Medina comeou a surfar mirando os dolos que participavam do campeonato, diz Pedro Falco, diretor executivo da Abrasp. No   toa, portanto, que Medina e Mineirinho, por exemplo, foram alguns dos primeiros a apoiar o retorno do torneio  fato hoje bastante comemorado. Estamos retomando essa histria com a parceria slida da Rocky Mountain. Mais importante que qualquer retorno imediato  a fora da mdia para impulsionar uma nova gerao de campees, completa Falco. As prximas etapas do campeonato ocorrero em Ubatuba (SP), Florianpolis (SC) e Saquarema (RJ).


5#4 LEGIO ESTRANGEIRA
Atletas vindos de fora do Pas reforam a delegao brasileira que busca as primeiras posies do quadro de medalhas nos Jogos Pan-Americanos
Lucas Bessel, enviado especial a Toronto

Com as costas curvadas sobre a mesa azul, pernas afastadas uma da outra, raquete na mo direita e olhos puxados fixos na bolinha, a mesatenista Gui Lin saca, aplicando o efeito tpico dos jogadores profissionais. Uma rpida troca de passes se segue, sempre com muito movimento de ambos os lados. A cena se repete dezenas de vezes ao longo de poucos minutos. Ao fim de cada jogada, se a pontuao lhe  favorvel, Gui Lin fecha o punho esquerdo e o ergue ligeiramente, s vezes vocalizando uma discreta expresso de jbilo que soa como Hou!, embora seja difcil imaginar como ela mesma a soletraria. Nascida em 1993 em Nanquim, na China, a jovem esportista, hoje oficialmente brasileira, representa um Pas cada vez mais multicultural que busca, nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canad, confirmar a aposta na naturalizao de atletas estrangeiros como estratgia para reforar um time que tem obrigao de fazer bonito na Olimpada em casa, no Rio de Janeiro, em 2016.

Gui Lin pode ser considerada uma veterana entre a legio estrangeira do time brasileiro. Chegou ao Pas aos 12 anos de idade, obteve a naturalizao pouco antes da Olimpada de Londres-2012 e participou dos Jogos na capital britnica j representando o Time Brasil. Ao lado do americano Larry Taylor, do basquete, foi a nica atleta de fora na delegao olmpica. Hoje, a realidade  diferente. Em Toronto, 16 esportistas naturalizados j fazem parte da equipe. No Rio de Janeiro, no ano que vem, devem ser pelo menos 22. Os sotaques variam. Espanhol, ingls, italiano, croata, holands e chins esto entre os idiomas que se misturam ao portugus. Os esportes que buscaram uma mozinha de fora tambm so diversos (confira quadro). Em comum, com a exceo do basquete, est o fato de possurem pouca tradio no Brasil. Essa  uma tendncia mundial, disse  ISTO o superintendente executivo de esportes do Comit Olmpico do Brasil (COB), Marcus Vinicius Freire, enquanto torcia na partida de estreia da equipe masculina de polo aqutico contra o Canad, time da casa, em Toronto. Na Olimpada, as vagas so limitadas, no tem espao para todo mundo, e muito atleta bom acaba buscando oportunidade em outros pases.

O COB garante que no incentiva oficialmente a naturalizao de atletas. Segundo o comit, a definio estratgica cabe s confederaes responsveis por cada esporte. No entanto, uma vez que a deciso tenha sido tomada, a entidade mxima do esporte olmpico brasileiro fornece suporte jurdico, com a participao de uma assessoria especializada que ajuda a lidar com os trmites burocrticos de todo o processo. No caso do polo aqutico brasileiro, que no Pan tem quatro naturalizados e um resgatado  Felipe Perrone, nascido no Rio, naturalizou-se espanhol na dcada passada e, agora, joga novamente pelo Brasil , os gringos j fazem a diferena. Em junho, com a ajuda deles, a seleo subiu pela primeira vez ao pdio da Liga Mundial. A Lei do Imigrante determina que, para se naturalizar, o estrangeiro precisa comprovar quatro anos de residncia no Brasil, prazo que pode cair para um ano se o Ministrio da Justia entender que o candidato tem servios relevantes a prestar ao Pas. Foi o que aconteceu com o croata Josip Vrlic, que est no Pan, e o srvio Slobodan Soro  este ltimo, ainda no liberado pela Federao Internacional de Natao (Fina) para disputar competies internacionais pelo Brasil.

A naturalizao de atletas est longe de ser exclusividade brasileira. Em Londres-2012, 11% da delegao britnica era nascida fora do Reino Unido. Das 65 medalhas conquistadas pela equipe da rainha em casa, 24 foram parar no peito de atletas estrangeiros, incluindo do fundista Mo Farah, natural na Somlia, ganhador do ouro nos 5.000 m e nos 10.000 m. Resultados como esses, no entanto, no aparecem com a simples importao de jogadores. No caso do Brasil, os estrangeiros tambm tomaram postos-chave em algumas comisses tcnicas. O dinamarqus Morten Soubak, que desde 2009 treina a seleo brasileira feminina de handebol, levou o time  indita conquista do mundial em 2013. Com a providencial ajuda vinda de fora, modalidades sem tradio comeam a trazer resultados inimaginveis h poucos anos.
__________________________________________


6# MEDICINA E BEM-ESTAR 15.7.15

     6#1 SIMPLES E EFICAZ CONTRA O CNCER DE MAMA
     6#2 DIETA DA ME, VCIO NO FILHO

6#1 SIMPLES E EFICAZ CONTRA O CNCER DE MAMA
Modelo de atendimento adotado em So Paulo implanta, em uma nica consulta, todos os exames de diagnstico e reduz a mortalidade causada pela doena
Cilene Pereira (cilene@istoe.com.br)

Uma maneira simples de atendimento  sem recorrer a frmulas mirabolantes ou depender de equipamentos carssimos  est conseguindo reduzir a mortalidade de mulheres com cncer de mama em So Paulo. Trata-se da estratgia de assistncia criada no Centro de Referncia da Sade da Mulher, do Hospital Perola Byington, unidade da rede pblica de sade. Uma pesquisa que acaba de ser concluda, publicada na revista da Sociedade Brasileira de Mastologia, apontou que o tempo mdio de atendimento das mulheres foi de 32 dias, entre a realizao da bipsia e o incio do tratamento. Praticamente a metade do preconizado pelo Ministrio da Sade, que  de sessenta dias, e bem inferior ao que ocorre na realidade do SUS, no qual boa parte dos casos avanados da doena  decorrncia de uma espera de at seis meses, em mdia, para o comeo do combate  enfermidade aps sua confirmao.

RAPIDEZ - Mara retirou um tumor pouco mais de um ms aps sua deteco

A agilidade no atendimento  vital para elevar as chances de cura. Quando os tumores so diagnosticados em estgios iniciais, a curva de mortalidade em dez anos se reduz, explica o mdico Luiz Henrique Gebrim, diretor do centro de referncia e integrante da Sociedade Brasileira de Mastologia. Sabe-se que a chance de cura ou sobrevida em dez anos nos estgios I, II e III da enfermidade , respectivamente, de 80%, de 55% e de 30%. Se temos 60% das pacientes no estgio III, a sobrevida para este grupo  de apenas 30%, diz o especialista. Mas quando as atendemos mais rapidamente, metade passa a iniciar o tratamento no estgio II, aumentando a possibilidade de cura destas mulheres de 30% para 55%, completa.

A rapidez na assistncia  resultado de um modelo no qual em uma nica consulta so realizados todos os exames necessrios para o diagnstico. Fala-se aqui da mamografia, do ultrassom e da bipsia. A rea de atendimento  junto a dos equipamentos e a equipe  treinada para realizar a bipsia no mesmo dia, explica Gebrim. O time de profissionais inclui cirurgies, ginecologistas, radiologistas e patologistas. No  necessrio investimento algum. Basta integrar as equipes e treinamento para a execuo da bipsia no mesmo dia de atendimento, afirma Gebrim.

ESTRATGIA - Segundo Gebrim,  preciso apenas integrar e treinar as equipes

A artes e comerciante paulista Mara Lcia Martim, 62 anos,  uma das pacientes atendidas no servio. Ela teve o tumor de mama diagnosticado em novembro de 2011 e pouco mais de um ms depois j estava sendo submetida a uma cirurgia para sua retirada. Foi tudo feito de maneira muito gil, lembra. Passei por todas as etapas, do diagnstico, pr-operatrio e cirurgia rapidamente, conta. Tempos depois da cirurgia, Mara submeteu-se a uma mamografia, que apresentou uma pequena alterao. Os mdicos ficaram na dvida se era um novo tumor ou uma cicatriz da operao. A avaliao do exame foi feita no mesmo dia, diz. Era uma cicatriz. A comerciante continua em tratamento e agora se prepara para outra operao, desta vez para extrair plipos no endomtrio (tecido que reveste o tero internamente).

A estratgia foi inspirada em modelos adotados em hospitais pblicos de Ontrio, no Canad, e de Paris, na Frana. No ano passado, foi premiada pela Fundao Susan Komen  dedicada ao financiamento de atividades de combate  enfermidade  para que possa ser expandida a cinco cidades brasileiras (Fortaleza, Manaus, Goinia, Uberlndia e Teresina).


6#2 DIETA DA ME, VCIO NO FILHO
Uma pesquisa divulgada na ltima semana disparou mais um alerta em relao aos prejuzos causados por uma dieta rica em gordura. Desta vez, o dano identificado foi aos filhos de gestantes que adotam este tipo de alimentao ao longo da gravidez. Realizado por cientistas da Rockefeller University, nos Estados Unidos, o estudo, feito em cobaias, revelou que os filhotes de mes alimentadas com excesso de gordura apresentam um risco mais elevado de manifestar dependncia e uso abusivo de lcool e de nicotina durante a adolescncia. Segundo os autores do trabalho,  a primeira vez que isso fica demonstrado.

HERANA - A exposio do feto a alimentos gordurosos parece estimular a atividade de reas do crebro associadas  compulso

A concluso foi obtida aps os pesquisadores analisarem as reaes de cobaias geradas por mes alimentadas com uma dieta rica em gordura e por outras, nutridas com uma alimentao normal. Eles constataram que o primeiro grupo tende a encarar o consumo de nicotina como mais recompensador, especialmente se combinado  ingesto de lcool. Quando os filhotes foram estimulados a trabalhar mais para conseguir doses elevadas de nicotina e de lcool, aqueles gerados por mes que comeram muita gordura continuaram se esforando para obter as prximas doses quando os outros, ao contrrio, j haviam desistido. Eles tambm ingeriram quantidades maiores de lcool e nicotina do que apenas de nicotina, comportamento no identificado entre os gerados por cobaias com dieta normal.

Investiga-se o mecanismo pelo qual o tipo da dieta da me interfere nos processos cerebrais associados  dependncia nos filhos. Acredita-se que a exposio pr-natal ao excesso de gordura aumenta o crescimento, no feto, de neurnios em reas especficas do crebro, como a regio do hipotlamo. A estrutura  uma das envolvidas na regulao do apetite e parece tambm estar vinculada ao comportamento de busca por recompensas, o que pode desencadear a dependncia qumica.
_____________________________________________


7# ECONOMIA E NEGCIOS 15.7.15

PACINCIA DO BRASILEIRO CHEGOU AO LIMITE
A crise econmica sem fim, os escndalos de corrupo e a inrcia do governo Dilma provocam uma onda generalizada de insatisfao e aguam o desejo por mudanas
Amauri Segalla e Ludmilla Amaral

Coloque a questo poltica de lado. Esquea, mesmo que por um breve momento, o partido A ou B. Ignore, s por um instante, ideologias, valores e convices. Desconsidere o que os seus amigos ou inimigos disseram nas redes sociais. Apague da memria aquela opinio bombstica do seu blog preferido, as mensagens insidiosas do WhatsApp, os comentrios inteligentes (ou nem tanto) do colega do escritrio. Faa tudo isso e deixe o pensamento livre, sem a influncia de quem quer que seja. Agora voc est pronto para responder, da maneira mais desapaixonada possvel, a seguinte pergunta: a sua vida melhorou ou piorou nos ltimos meses?  bem provvel  na realidade,  praticamente certo  que a maioria esmagadora dos leitores crave a segunda alternativa. Quase ningum mais confia no governo, ou nos partidos polticos, ou nas intenes do Congresso. Os brasileiros esto fartos da crise econmica. Do desemprego. Da inflao que no para de subir. Da conta de luz que consome pequenas fortunas de residncias e indstrias. Dos juros que tornam os boletos do dia a dia impagveis. Dos impostos. Dos escndalos de corrupo. A avalanche de problemas aflige ricos e pobres, empresrios e trabalhadores, executivos e estudantes, idosos e jovens. A despeito do gosto partidrio de cada um, as dificuldades chegaram para todos. A crise no  mais uma questo etrea, colocada apenas no debate poltico. Ela atingiu em cheio o cotidiano das pessoas  esta a, afinal, to presente quanto o ar que se respira.

Uma srie de pesquisas demonstra que a pacincia dos brasileiros chegou ao limite. De acordo com o Ibope, o pessimismo nacional atingiu o nvel mais alto desde 2001. Metade da populao acha que tudo ainda pode piorar. Detalhe interessante: o Nordeste, reduto eleitoral do PT da presidente Dilma Rousseff, lidera a onda de pessimismo, um fato indito que refora a teoria da insatisfao generalizada. Outro levantamento, da Fundao Getlio Vargas, traz um dado ainda mais revelador. S 5% dos brasileiros colocam a mo no fogo pelos partidos polticos. Ou seja: de cada 100 pessoas, 95 acreditam que as legendas no servem para nada a no ser para defender os seus prprios interesses. E h o caso Dilma. Segundo o Ibope, ela conseguiu a faanha de ser to impopular quanto o ex-presidente Fernando Collor. Seu ndice de rejeio, de 68%,  o mesmo de Collor s vsperas do impeachment, em 1992.

Por mais que o atual governo no reconhea a gravidade da situao, o que se extrai desses nmeros  uma verdade incontestvel: as pessoas simplesmente no aguentam mais. Chegaram ao limite. Esgotaram a ltima dose de pacincia. Mais grave ainda: sabem que no se trata de uma questo momentnea. O pior pode estar por vir. Os indicadores de agora mostram que 2016 ser um ano muito difcil, diz Riordan Roett, diretor do programa de estudos sobre a Amrica Latina da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos. O Brasil tem um trabalho rduo pela frente. No foi apenas a fragilidade econmica que alimentou a onda de insatisfao. Os casos estarrecedores de corrupo, inclusive com gente grada do PT indo parar atrs das grades, se tornaram to frequentes que tem sido difcil para a maioria das pessoas acompanhar os seus desdobramentos. As provas se sucedem e revelam, a cada dia, como os embusteiros agem e assaltam os cofres pblicos.

No tem sido fcil enfrentar as mazelas do Pas. Dono da Amrica Cargo Express, uma transportadora da cidade de Itapevi, na Grande So Paulo, Marcello Felipe Gamero viu as encomendas despencarem desde que a crise se tornou mais aguda. Em 2015, o faturamento da empresa encolheu 70%, uma enormidade que derruba qualquer um, mas especialmente companhias de mdio porte como a sua. Ferido pela crise, precisou demitir 10% de sua fora de trabalho. Nem assim as dificuldades aplacaram. Para honrar compromissos trabalhistas e com fornecedores, recorreu a emprstimos bancrios. Mas os juros altos tornaram caro demais captar recursos de instituies financeiras. Resultado: o efeito bola de neve fez as dvidas aumentarem ao mesmo tempo em que as receitas diminuram. Como resolver a encrenca? Estou vendendo meus carros e tirando dinheiro das contas pessoais, diz Marcello. Nos prximos dias, ele comea uma nova fase. A Amrica Cargo vai deixar o galpo onde est instalada para dividir um armazm com outra transportadora e, assim, cortar gastos com locao. O fardo tem sido pesado demais para a famlia. s voltas com problemas financeiros e amargurada com a demisso de funcionrios, a me de Marcello, Maria Antnia, entrou em depresso.

Manter um negcio, em qualquer ramo de atividade, tem sido um imenso desafio. No varejo, os empresrios sofrem com a queda do consumo. Na rea de infraestrutura, que precisa de investimento financeiro pesado, o desinteresse do mercado internacional e a escassez de recursos pblicos esmagaram as oportunidades. Na construo, a escassez de crdito afastou compradores de imveis. No  toa, o setor viu sumirem mais de 300 mil empregos nos ltimos 12 meses e as aes das empresas recuarem quase 20% em 2015 na Bolsa de Valores de So Paulo. Na indstria automobilstica, a sada para muitas montadoras foi reduzir salrios e a jornada de trabalho, mas nem assim as fabricantes conseguiram respirar. A GM deu licena remunerada a quase 500 trabalhadores da planta de So Caetano do Sul, na Grande So Paulo. Est difcil arrumar a situao, diz Jaime Ardilla, presidente da empresa para a Amrica do Sul. Na Volks, 4,8 mil funcionrios entraram em frias coletivas. A Mercedes-Benz demitiu.

Se gigantes multinacionais com lastro nas operaes estrangeiras sofrem para driblar as dificuldades, no  difcil calcular as agruras de empresas de menor porte. Muitas esto quebrando. H alguns dias, a Boa Vista SCPC apresentou um relatrio chocante. Entre junho de 2015 e junho de 2014, o nmero de falncias decretadas aumentou 94,8% no Pas.  impossvel defender o otimismo de algumas alas do governo diante de um dado to devastador. Empresas quebradas no so uma notcia ruim apenas para os seus proprietrios. Quando elas desaparecem, trabalhadores perdem os seus empregos. E suas famlias sofrem.

Trata-se de um ciclo negativo sem fim. Um problema leva a outro, e este a um terceiro, e assim por diante. Em janeiro, Rubens Garcia Thomazzoni, 50 anos, foi obrigado a vender a loja de roupas que matinha h 18 anos em So Paulo e colocar na rua todos os seus funcionrios. O faturamento caiu muito e eu me endividei, diz. Ele tentou procurar emprego, mas o mercado inerte, especialmente para um homem de meia-idade, no ofereceu uma chance sequer. Para no comprometer as finanas da famlia, a filha Isabella, 18 anos, teve que trancar a faculdade. Em junho, depois de uma saga de seis meses tentando encontrar emprego, ele desistiu. A sada foi retornar ao velho ramo. Fiz um emprstimo bancrio e abri uma nova loja, diz. Desta vez, teve que agir de forma diferente. Em vez de contratar empregados, trouxe parentes para trabalhar no negcio. Eu resisti, mas vi que no tinha outro jeito, afirma Isabella.

 preciso colocar nos ombros da presidente Dilma a responsabilidade pelos problemas econmicos do Pas. A inflao anual perto dos dois dgitos se deve aos equvocos do primeiro mandato. No ano eleitoral, Dilma represou preos. Para no sangrar ainda mais os cofres das empresas de energia, foi obrigada a reajustar a conta de luz. O problema  que a fatura veio pesada demais e pode significar um avano de 50% apenas em 2015. O mesmo se deu com a gasolina. Na lgica econmica, problemas ruins levam a dificuldades piores ainda. Com o combustvel caro, as empresas gastam mais para levar um produto de um lugar para outro. Para cobrir esse custo, elas aumentam o preo de seus servios ou artigos. O nome que se d a isso  inflao. Se o produto est caro, o consumidor no compra. Se ele no consome, as companhias no faturam. Sem gerar receitas, elas demitem. No processo, todo mundo perde.  assim que nascem as frustraes  e os baixos ndices de aprovao de uma presidente cada dia mais impopular. Dilma est colhendo agora o que plantou no primeiro mandato, diz Eduardo Raposo, coordenador de cincia poltica da PUC-Rio. A base de todos os problemas est na poltica econmica equivocada.

O segundo mandato de Dilma tem sido to desastroso que ela est colocando por terra duas bandeiras caras ao PT: o cenrio de pleno emprego e a incluso social. No primeiro caso, o Brasil vive uma tragdia. Em maio, o Pas fechou 115 mil vagas, o pior resultado para o ms em 23 anos. Esto sem trabalho at profissionais de alta qualificao. Formado em engenharia mecnica, o curitibano Glauco Vital da Silva Filho, 31 anos, foi demitido em abril por uma empresa de gerenciamento de obras. Antes, eu saa de um contrato e ia rapidamente para outro, diz. Agora, est tudo parado.  a falta de perspectivas que tem levado algumas pessoas para uma sada radical  o aeroporto mais prximo. Demitida h dois meses de uma empresa em Porto Alegre, a publicitria Fernanda Vieira, 23 anos, decidiu arriscar a sorte nos Estados Unidos, onde vai fazer, a partir de setembro, um curso de produo audiovisual. S volto quando a situao no Brasil melhorar. Para Bruno Contrera, da agncia de intercmbio STB, a crise  um bom momento para se aprimorar no exterior. Muitos profissionais que foram desligados das empresas esto investindo em cursos fora.

Na outra ponta da escada social, a inflao tem sido a maior vil. Segundo o Dieese, que calcula o ndice do Custo de Vida no municpio de So Paulo, os preos para as famlias de baixa renda subiram 11,22% no perodo de doze meses. Para efeito de comparao, a Rssia e seu to debatido pandemnio financeiro enfrentam um ndice inflacionrio anual de 15%. No Brasil, produtos cada vez mais caros e renda real em queda formam a combinao nefasta que atrasa planos e bloqueia sonhos. Priscilla Leme da Silva, 33 anos, mora em um assentamento do MST na Vila Brazilndia, bairro na periferia paulistana, com o marido e dois filhos. Ela recebe R$ 140 do Bolsa Famlia e no  capaz de lembrar a data em que o benefcio sofreu reajuste. Foi certamente h bastante tempo. Tudo est caro demais, diz. No consigo comprar mais nada. Como a inflao suga boa parte de seu dinheiro, ela recentemente precisou escolher entre pagar o aluguel ou comprar comida para os filhos. Ficou, claro, com a segunda opo. No  difcil imaginar o que Priscilla pensa do governo Dilma. Como milhes de brasileiros, ela  o retrato do descontentamento. O Brasil piorou muito, afirma. Nisso, est coberta de razo.
____________________________________________


8# MUNDO 15.7.15

O DILEMA DE FRAU MERKEL
Pressionada para manter a zona do euro unida e decidida a jogar duro com a Grcia, a chanceler alem decide nesta semana como entrar para a histria
Mariana Queiroz Barboza (mariana.barboza@istoe.com.br)

Lder mais poderosa da Europa, a chanceler Angela Merkel era uma criana da Alemanha Oriental quando foram lanadas as bases do que seria a Unio Europeia. A solidariedade, ento, parecia um valor irrevogvel na origem de um bloco criado para manter a paz e estimular a recuperao econmica entre os pases de um continente que, no sculo passado, foi arrasado por duas guerras mundiais. Agora, mais de cinquenta anos depois, diante da encruzilhada a que a crise na Grcia chegou, Merkel se v pressionada a testar at onde vai essa solidariedade. No domingo 5, os gregos deram um voto de confiana ao primeiro-ministro, Alexis Tsipras, e escolheram no aceitar o ltimo acordo proposto pelos credores, sinnimo de mais austeridade. Quatro dias depois, veio a contraproposta: os gregos pedem um novo resgate, de trs anos, e prometem reformar a Previdncia e aumentar os impostos.

H dez anos ocupando o poder na Alemanha, Merkel tem, nesta semana, o poder de determinar o futuro da Europa e saber se entrar para a histria como a lder que se curvou a uma nao de pouco mais de 11 milhes de habitantes para conservar a zona do euro unida, ou se foi a responsvel pelo incio da fragmentao do bloco, deixando  deriva a populao de um de seus parceiros. Durante toda a negociao, a chanceler insistiu que to importante quanto preservar a inviolabilidade do euro era a responsabilidade com os compromissos assumidos. Merkel adotou uma postura dura desde o incio das conversas com a Grcia e estabeleceu linhas vermelhas que ela no queria ultrapassar, sobretudo em relao a um corte da dvida, disse  ISTO Grgory Clayes, analista da consultoria Bruegel, de Bruxelas. A razo por trs disso estaria na base de apoio que a sustenta no Bundestag, o parlamento alemo, cada vez mais inclinado em ver a sada da Grcia da zona do euro como a melhor soluo.

Os alemes, afinal, esto entre os principais credores de Atenas, que se afundou numa crise financeira deflagrada pela corrupo e evaso fiscal de governos anteriores. A dvida com eles chega a 56 bilhes de euros. Ela entende que isso seria um erro histrico e que mancharia seu legado, mas ela no quer contrariar seu partido, diz o analista. Para Clayes, essa averso ao risco faz de Merkel mais uma poltica do que uma verdadeira estadista. Segundo Andreas Antoniades, professor de Relaes Internacionais da Universidade de Sussex, na Inglaterra, houve uma mudana na forma como a integrao europeia tem sido discutida pela Alemanha nos ltimos cinco anos. As aspiraes sobre uma unio poltica e um processo de integrao contnuo deram espao para um discurso introvertido focado nos contribuintes e na irresponsabilidade dos pases do Sul, disse Antoniades  ISTO. O projeto europeu parece ter perdido legitimidade entre os prprios europeus.

NO  AUSTERIDADE - Depois do resultado do plebiscito no domingo 5, os gregos foram s ruas de Atenas comemorar

Contra isso, Thomas Piketty, Jeffrey Sachs e outros trs economistas assinaram uma carta aberta criticando a austeridade imposta pela Alemanha e lembraram que o pas j teve sua dvida perdoada no passado. Suas aes dessa semana entraro para os livros de histria, escreveram. Em 1953, um acordo ps-guerra garantiu o corte de quase metade da dvida alem, a reestruturao dos prazos de pagamento e a cobrana de juros baixos  termos muito parecidos com as demandas atuais dos gregos. A Grcia, alis, estava entre os 21 pases que concordaram em ajudar Berlim, mas o mundo era outro. A comear pela polarizao entre Estados Unidos e Unio Sovitica, que alimentava o interesse na estabilizao da Alemanha Ocidental. Alm disso, a Alemanha sempre foi mais relevante econmica e geopoliticamente do que a Grcia, cujo PIB corresponde a apenas 2% da zona do euro. Embora a Rssia tenha hoje pouca margem de manobra para atrair os gregos para sua zona de influncia, j que sua prpria economia sofre com a recesso provocada pela desvalorizao do petrleo e as sanes impostas pela Unio Europeia e os EUA, seria estratgico para o presidente Vladimir Putin afastar a Grcia da Unio Europeia e fortalecer um aliado dentro da Otan, aliana militar ocidental. Para desgosto de Merkel, Putin e Tsipras j so notoriamente bem prximos. 
_______________________________________


9# TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE 15.7.15

UMA VIAGEM AT PLUTO
Pela primeira vez na histria uma espaonave lanada da Terra chegar ao mais distante de todos os planetas do Sistema Solar

Depois de nove anos, cinco bilhes de quilmetros e muita incertezas, a pequena espaonave americana New Horizon finalmente est chegando a Pluto, o longnquo, desconhecido e controverso planeta-ano. Pouco antes das nove da manh da tera-feira 14, a nave vai se aproximar cerca de 12,5 mil quilmetros da superfcie do mais distante planeta do Sistema Solar. Parece muito, mas com suas cmeras equipadas com lentes telescpicas, desta distncia a New Horizon poderia fazer uma foto em alta resoluo de um lago como o do Parque do Ibirapuera, em So Paulo, ou da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio. Apesar de na ltima semana a nave ter perdido contato com o centro de comando da Nasa por quase uma hora e meia, os cientistas se dizem confiantes com os momentos finais desta viagem de quase uma dcada. Estamos tranqilos e certos de que encontraremos algo maravilhoso l, disse Alan Stern, um dos chefes da misso.

Esta ser a primeira vez que uma nave espacial chegar perto deste corpo celeste descoberto apenas em 1930 e que nos ltimos anos se transformou em motivo de acalorados debates na comunidade cientfica. Hoje j no h muita discusso sobre a natureza de Pluto. Ele  sim um planeta, apesar de ser considerado um ano csmico. Est localizado no que os astrnomos chamam de a terceira zona do Sistema Solar, em uma rea tambm conhecida por Cinturo de Kuiper, onde outros corpos celestes compostos basicamente de rocha e gelo  como Pluto  tambm esto localizados. Na prtica, esse planeta-ano que tem mais ou menos 1/5 do tamanho da Terra est no que poderia ser chamada de a periferia do Sistema Solar, distante mais de sete bilhes de quilmetros do Sol no seu inverno.

O grande feito da New Horizon foi ter chegado to longe e em to bem. Apesar do problema de comunicao registrado na ltima semana, a espaonave est em perfeitas condies para enviar  Terra imagens em alta-resoluo, mapas trmicos, dados sobre a composio da atmosfera de Pluto e outras informaes sobre o Cinturo de Kuiper. Pluto  o nico planeta do Sistema Solar que ainda no visitado por uma nave vinda da Terra.

Apesar faltar to pouco para que a New Horizon chegue at Pluto, ainda vai demorar muito para que se saiba exatamente como  o ltimo planeta de nosso sistema. Isso porque a distncia entre a Terra e Pluto, algo como 5 bilhes de quilmetros, dificulta  e muito  a transmisso de dados entre a nave e o centro de comando, nos Estados Unidos. A expectativa  de que quando a New Horizon estiver avistando a simples mensagem de que chegou ao seu destino deva demorar cerca de quatro horas para chegar  Terra. A estimativa da Nasa  de que as imagens em alta resoluo que a espaonave far na tera-feira demore cerca de 1,5 ano para viajar pelo espao at seus computadores.
_______________________________________________


10# CULTURA 15.7.15

     10#1 OS CONFLITOS DE ZILDA ARNS
     10#2 EM CARTAZ  CINEMA - QUANDO A VIDA COMEA DE NOVO
     10#3 EM CARTAZ  FOTOGRAFIA - GUAS CARIOCAS
     10#4 EM CARTAZ  EXPOSIO - ARTE PESO-PESADO
     10#5 CARTAZ  LIVROS - OS 150 ANOS DE "ALICE NO PAS DAS MARAVILHAS"
     10#6 EM CARTAZ  FESTIVAL - 46 FESTIVAL DE CAMPOS DO JORDO TEM MAIS ATRAES EM SO PAULO
     10#7 EM CARTAZ  AGENDA - PABLO/HERCULE/BEATLES
     10#8 ARTES VISUAIS - A ARMA MAIS POTENTE

10#1 OS CONFLITOS DE ZILDA ARNS
Livro e documentrio mostram como a pediatra que reduziu a mortalidade infantil brasileira a patamares europeus sofreu e brigou para construir o seu bem-sucedido projeto social 
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

Para ser reconhecida como beata e depois se tornar santa, processo aberto neste ano, Zilda Arns precisa de pelo menos dois milagres reconhecidos pelo Vaticano. No se pode dizer, porm, que a pediatra paranaense, responsvel pelo projeto mais eficaz contra a mortalidade infantil no Brasil, a Pastoral da Criana, contou alguma vez com milagres. Pelo contrrio, a mdica catlica desafiou a Igreja para conseguir por em prtica projetos sociais que at a chegada do Papa Francisco eram vistos com muitas reservas pela Santa S. Fez quase tudo que fez com as prprias mos. No documentrio e na biografia que o jornalista Ernesto Rodrigues pretende lanar este ano, fica claro que foram necessrios muitos ps da porta, das dioceses ao Vaticano, dos gabinetes ministeriais aos distribuidores de cesta bsica, para que Zilda Arns erguesse o projeto que transformou a vida de milhares de brasileiros e a maneira de se tratar a infncia pobre no Brasil.

Zilda Arns ganhou notoriedade quando, depois de um surto de poliomielite no Pas, assumiu a Secretaria de Sade do Paran  onde havia um dos principais focos  erradicando a doena antes dos outros estados. Mas no foi sobre a obra de Zilda Arns que quis me debruar, apesar de ter contado com apoio da Pastoral, diz o autor do livro e diretor do documentrio. O que quis mostrar so os conflitos da mulher e da me, da pessoa por trs do mito que abria a porta de qualquer presidente da Repblica. Ela passou por seis. Um deles, Fernando Henrique Cardoso, entrevistado para o filme, contou que chegou a interromper uma reunio do Copom para atender a lder da Pastoral da Criana.

Descendente de imigrantes alemes religiosos, estabelecidos no interior do Paran, Zilda teve de contrariar o pai para estudar medicina. No era profisso para uma mulher. Formada, me de quatro filhos e grvida de trs meses, viajou para Colmbia, em 1973, para uma especializao em medicina sanitria. L, um professor, mdico, avaliou que sua gravidez a colocava em risco e que deveria realizar um aborto. Ela no fez, era radicalmente contra. Foi por isso considerada inimiga de correntes progressistas. De fato ela era contra o aborto e toda a ao em prol da legalizao. Isso lhe valeu a pecha, entre as feministas, de representar a Igreja e no as mulheres, conta Rodrigues, que vai lanar a biografia pela editora Vozes e inscreveu o documentrio no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, que ocorre em outubro na capital carioca.

OPOSITORES - O mtodo de pesagem e o preparo do soro fisiolgico foram questionados por pediatras. As aes, em conjunto, reduziram de 100 para 15 mortos a cada cem mil crianas nascidas

Entre as entrevistas colhidas para o filme, a de Dom Paulo Evaristo Arns, irmo, mostra como a Pastoral da Criana, hoje um modelo mundial de ateno social, desagradava a quase todos os setores da sociedade, inclusive da Conferncia Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB. Havia muita resistncia contra nossa famlia, contou o arcebispo-emrito de So Paulo.

Se as feministas detestavam a mdica por sua postura crist em relao  gestao, a Igreja desaprova, ainda sob o de Joo Paulo II, as aes educativas do projeto. Zilda, certa vez, deixou o Vaticano vociferando que bateria as sandlias para no levar nem o p deste lugar. Era um encontro com o cardeal colombiano Alfonso Lopes Trujillo, para convenc-lo da importncia do reconhecimento do trabalho da brasileira Pastoral da Criana. O cardeal a acusou de ser a favor da legalizao do aborto, pois no havia diferena entre a contracepo e interrupo da gravidez, contou ao jornalista Elson Faxina, ex-assessor de Zilda Arns, que participou da reunio. Algumas vezes, ela era uma mulher muito dura, disse Faxina.

No bastasse as oposies no mbito poltico, muitos pediatras se incomodaram com os procedimentos implantados pela colega na sua campanha contra a desidratao e a desnutrio, o soro fisiolgico e a multimistura.Era difcil convencer que gua com acar e sal era remdio, lembra Nelson Arns Neumann, hoje  frente da organizao criada pela me.

Por fim, Zilda tambm carregou grandes conflitos internos. Silvia, filha da gravidez que ela se recusou a interromper em Mendeln, cresceu e passou a se relacionar com um homem casado, com quem teve um filho. A mdica acolheu apesar de reprovar a situao. Achava que em um momento importante do crescimento de Silvia, estava por demais envolvida com o trabalho. Outra culpa acompanhou-a por toda a vida: a morte do marido, Aloysio Neumann. Ele teria ido  praia de Betaras, no Paran, com as crianas, em um final de semana em que ela precisou trabalhar. Enfartou em alto mar, tentando salvar um dos filhos dos dois.

Felippe Arns, irmo mais velho, conta que ela estava sofrendo por interromper as frias com a famlia em 2010, na mesma praia, para ir ao Haiti, onde pretendia levar o modelo da Pastoral da Criana. Como em todos os outros momentos de dvida, decidiu ir em frente. Era janeiro. Zilda estava em um anexo da Igreja Sacre Coeur, em Porto Prncipe, quando o terremoto atingiu o Haiti, arrasando a capital haitiana e encerrando uma das trajetrias mais extraordinrias que o Brasil conheceu. Zilda Arns Neumann morreu como uma santa. Mas viveu como uma guerreira.


10#2 EM CARTAZ  CINEMA - QUANDO A VIDA COMEA DE NOVO
Eles tm experincia o suficiente para saber que so um peso empurrado com desgosto pela famlia e pela sociedade
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

Eles tm experincia o suficiente para saber que so um peso empurrado com desgosto pela famlia e pela sociedade. E que depois de atravessar a grande e pesada porta da instituio para velhos de O Ciclo da Vida, que estreia na quinta-feira 16, suas histrias passadas valero menos que os comprimidos dirios ministrados pelos cuidadores. O maior mrito do novo filme do diretor chins Zhang Yang (o mesmo de Banhos)  mudar a toada triste do filme com delicadeza para uma rota de humor que lembra road movies como Priscila  A Rainha do Deserto e Little Miss Sunshine. A vontade de tratar do assunto com sinceridade era tanta que Yang colocou seu pai octagenrio no elenco.

+ 5 filmes sobre a velhice
Amor (2012)
 Longa de Michael Haneke que ganhou a Palma de Ouro com a narrativa sobre o curso do Alzheimer (FOTO)
Vendedor de bales decide fazer a viagem que sua mulher sonhou a vida inteira. Animao da Pixar

Elsa Y Fred (2005)
 Vivo reencontra o amor no filme do argentino Marcos Carnevale

Conduzindo Miss Daisy (1989)
 Com Morgam Freeman e Jessica Tandy, ganhou cinco Oscar, incluindo o de melhor atriz para ela

Cocoon (1985)
 Casulos deixados por extraterrestres fazem com que frequentadores idosos de uma piscina recuperem a vitalidade da juventude 


10#3 EM CARTAZ  FOTOGRAFIA - GUAS CARIOCAS
Helena Borges (helenaborges@istoe.com.br)

As famosas curvas da paisagem carioca ganham uma nova viso na exposio Rio de Mar, que rene 30 fotografias capturadas de dentro das ondas que cercam a cidade. O fotgrafo Jos Diniz fez as imagens na linha dgua (literalmente) usando equipamentos e lentes especiais, tudo para dar a sensao de que o observador est  deriva. Em muitas das fotos, a gua d o efeito, tornando desnecessrio o tratamento com photoshop e fazendo, por exemplo, um surfista parecer andar sobre o mar ou os prdios de Copacabana ganharem movimentos. A mostra acontece no Espao Cultural Furnas, em Botafogo, at 6 de setembro.  


10#4 EM CARTAZ  EXPOSIO - ARTE PESO-PESADO
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

Iole de Freitas nunca teve medo das grandes escalas. A artista mineira completa 70 anos com uma exposio de peso, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio). Com curadoria de Ligia Canongia, a mostra apresentar instalao indita, composta por trs esculturas de ao, de grandes dimenses, que pesam juntas quase quatro toneladas.


10#5 CARTAZ  LIVROS - OS 150 ANOS DE "ALICE NO PAS DAS MARAVILHAS" 
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

Faz um sculo e meio que Alice entrou em um buraco atrs do coelho branco. A experincia lisrgica e transformadora por que passou a menina entediada mudou tambm a histria da literatura de fantasia, que ganhou sentido e alcance universal nessa narrativa de Lewis Carrol. No faltam edies especiais do texto. A que a editora Zahar coloca agora nas livrarias traz em um s livro Alice no Pas das Maravilhas e sua continuao, Atravs do Espelho e o que Alice Encontrou por L. Como em cartas de baralho  elementos importantes da trama , cada um dos dois livros est posicionado de maneira invertida em relao ao outro no projeto grfico. Outra sutileza de encher os olhos so as colagens de Adriana Peliano sobre as ilustraes originais de John Tenniel para a histria.


10#6 EM CARTAZ  FESTIVAL - 46 FESTIVAL DE CAMPOS DO JORDO TEM MAIS ATRAES EM SO PAULO
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

O Festival de Msica de Campos do Jordo deste ano concentrou uma parte substancial de sua programao na capital paulista. O Quarteto Osesp  uma das atraes que subir a serra. O conjunto formado por Emmanuele Baldini e Davi Graton (violinos) Peter Pas (viola), e Ilia Laporev (violoncelo) apresenta, na tera-feira 14, obras de Carl Nielsen e Maurice Ravel no Espao Cultural Dr. Alm na cidade serrana. Marin Alsop, da Osesp, vai reger a Orquestra do Festival no Auditrio Cludio Santoro e na Sala So Paulo nos dias 18 e 19. Sero 84 concertos (65 gratuitos) incluindo 31 de orquestras e bandas sinfnicas, 29, de msica de cmara, 16 recitais e 8 corais.


10#7 EM CARTAZ  AGENDA - PABLO/HERCULE/BEATLES
Confira os destaques da semana
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

Pablo Escobar: O Senhor do Trfico
 (No Net Now, para assinantes de todo o Pas)
Srie em 74 episdios sobre o maior traficante colombiano da histria

Hercule Florence
 (Na Biblioteca Brasiliana Guita e Jos Mindlin, em So Paulo, at 31/7)
Exposio de registros da populao indgena brasileira realizados pelo cientista que integrou a Expedio Langsdorff (1825-1829)

Beatles num Cu de Diamantes 
 (No Teatro Folha, em So Paulo, at 30/8)
Da dupla Charles Meller e Claudio Botelho, musical resume canes do Fab Four na voz de jovens cantores


10#8 ARTES VISUAIS - A ARMA MAIS POTENTE 
Desordem de um mundo em conflito  o grande tema da Bienal de Veneza, que faz 120 anos e tem, pela primeira vez, um curador africano na direo artstica 
Paula Alzugaray

All the Worlds Futures  56 Bienal de Veneza, Itlia/ at 22/11
O curador africano Okwui Enwezor oferece ao pblico da 56 Bienal de Veneza uma srie de filtros para ver o mundo e questionar a aparncia das coisas. Eles so vrios, sutis e sobrepostos mas, ao menos, dois podem ser discernidos: a vivacidade e a desordem. Sob 
 o conceito da vivacidade renem-se os trabalhos incompletos, performticos, em processo de realizao ao longo da mostra. Entre eles, Das Kapital, projeto que consiste na leitura e interpretao diria do livro de Karl Marx, at 22 de novembro. J sob o filtro da desordem aparecem as obras realizadas  luz dos conflitos regionais, das desfiguraes territoriais e geopolticas, de relaes humanas corrompidas por valores blicos e militarizados.

O PESO DO MUNDO - "She's got the whole world in her" (2015), instalao do artista Wangechi Mutu, nascido no Kenya, em exposio no Pavilho Central do Giardini, em Veneza

A primeira sala do Arsenale  estaleiro que teve papel central na construo do poder naval de Veneza e hoje  sede da principal exposio curatorial da Bienal de Veneza, All the Worlds Futures (Todos os Futuros do Mundo)   um statement desse estado belicoso das coisas. Rene neons de Bruce Nauman (dos anos 1970) e a instalao Nymphas do algeriano Adel Abdessemed, que se adequa perfeitamente  imagem figurada de um jardim da desordem, um dos filtros de Enwezor. Trata-se de uma coleo de esculturas fabricadas com faces e peixeiras, no formato de plantas rasteiras. Outro autor que explorou com maestria as estticas da guerra  o alemo Harum Farocki, falecido no ano passado, que e  homenageado aqui com um Atlas composto por 87 de seus filmes.

Na crtica ao belicismo, h muito pessimismo e melancolia, mas tambm h sadas sugeridas. Na maior parte das vezes, por intermdio da msica e da experimentao sonora. Nesta que  a curadoria com a maior frequncia de artistas africanos e procedentes de pases no ocidentais da histria dos 120 anos de Bienal de Veneza, entendemos o mundo como um contingente dividido entre duas artilharias: as armas e os instrumentos musicais. A msica  a arma mais potente, diz a letra de cano executada por conjunto africano em vdeo instalao da dupla Carsten Hller & Mans Mansson.

GUERRA E PAZ - Instalao "Muffled Drums" (2003), abaixo, do americano Terry Adkins, faz da msica um totem, e a instalao "Nymphas" (2015), acima, do algeriano Adel Abdessemed, feita com faces, no Arsenale

Outros artistas que propem sadas musicais aos problemas do mundo so o francs Christian Boltanski, que escapou de seu tema preponderante  a morte e a memria  para encantar os sentidos com Animatas (2014), uma instalao sonora montada no deserto do Atacama, no Chile, com pequenos sinos que so tocados pelo vento. Uma das obras mais lindas de toda a exposio. Com sinos tambm trabalha o iraquiano Hira K., em The Bell (20072015), uma tocante videoinstalao documental em dois canais que explora como iraquianos recuperam o metal de bombas detonadas para produzir sinos. Um exemplar fica disponvel para o toque do pblico, que pode assim rivalizar com a potencia sonora dos carrilhes de igrejas da laguna veneziana.

Com 136 artistas de 53 pases, a 56 edio traz, por um lado, um improcedente nmero de 159 trabalhos realizados especificamente para o evento. Por outro, faz pequenas perspectivas histricas de cineastas como Sergei Eisenstein e Chris Marker e traz trabalhos novssimos do veterano Georg Baselitz. Seguindo uma tendncia bastante contempornea entre as bienais, esta no  uma edio composta s por artistas visuais, mas tambm por pensadores, escritores, compositores, coregrafos, cantores e, especialmente, msicos.
__________________________________________


11# A SEMANA 15.7.15

por Antonio Carlos Prado e Elaine Ortiz 

"O GOLPE BAIXO DE EVO E A SABEDORIA DE FRANCISCO"
Bons estadistas sabem que, ao recepcionar papas, a discrio  antes de tudo sabedoria poltica e protocolo diplomtico. O presidente da Bolvia, Evo Morales, desconhece isso. Na visita do papa Francisco ao pas, na semana passada, Morales presenteou Francisco com crucifixo formado de foice e martelo, smbolo do comunismo  regime totalitrio que perseguiu os catlicos em todo o mundo enquanto se manteve em p. O Evo Morales da quinta-feira 9, na verdade,  o mesmo que na passado abriu uma crise com o vaticano quando proibiu o catolicismo. Francisco acolheu o crucifixo com a tranquilidade e de quem sabe o que quer  e de fato o que ele queria fazer, e fez, era falar  populao indgena e aos movimentos sociais sobre a importncia de um sistema capitalista que seja capaz de promover justia social. Que se chegue ao dia no qual no existam famlias sem casas nem naes sem liberdade, declarou ele. O recado a Morales foi dado.  


"O BRASIL INVISVEL DOS LINCHAMENTOS"
A imagem por si s  chocante, e  mais chocante ainda quando se descobre que ela no mostra um fato isolado no Pas  cenas como essa acontecem com frequncia e, quando vm a pblico, revelam fragmentadamente um Brasil que acontece todos os dias mas continua invisvel. Na semana passada, moradores de um bairro na perifeira de So Lus, capital do Maranho, capturaram Cledenilson Pereira da Silva, 29 anos, que tentara assaltar um botequim. Despiram-no, amarraram-no a um poste, e o mataram a socos, pontaps e garrafadas (um menor que o acompanhara no roubo seguia o mesmo destino mas a polcia chegou a tempo de salv-lo). Tambm na semana passada, na cidade mato-grossense de Basnorte, a populao invadiu a delegacia, linchou e matou a tiros um homem acusado de homicdio. Nos ltimos 60 anos, um milho e meio de brasileiros lincharam algum. Estima-se que ocorram quatro linchamentos por dia em todo o Pas.


"DILMA HIERARQUIZA O VALOR DA VIDA HUMANA - A DA MAIORIA DA POPULAO VALE MENOS"
Na tera-feira 7. Dilma Rousseff sancionou lei que torna crime hediondo (penas bem maiores) o assassinato de policais e demais pessoas que trabalhem em rgos de segurana  a lei se estende aos cnjuges.  claro que esses profissionais correm maior risco de morte porque entram em confronto direito com bandidos, mas  bvio tambm que eles andam armados. E como fica a enorme parcela da populao que no atua nesse setor e  proibida de portar armas? A vida de quem no  policial ou agente de segurana (e a vida das esposas) tm ento menor valor? Mais uma vez a presidente vai pelo caminho da inconstitucionalidade. Antes de criar a mulher sapiens, criou o feminicdio para crimes de gnero  o que  inconstitucional porque assassinato de gente  assassinato de gente, seja homem ou mulher. Agora hierarquiza, quebrando novamente o princpio legal da isonomia que rege o Estado de Direito, categorias profissionais na penalizao do homicdio consequentemente na valorizao da vida.


"1 FUMANTE MORRE A CADA 6 SEGUNDOS EM TODO O MUNDO."
A informao  da OMS, que pela primeira vez no se limita  estatstica e  sua anlise exige agora providncias para conter o tabagismo. Duas delas so: taxao de pelo menos 75% no preo de um mao de cigarros e investimento pesado, com esse dinheiro arrecadado, em campanhas de preveno. Segundo a OMS em seu relatrio A epidemia mundial de tabaco-2015, h atualmente no mundo cerca de 1 bilho de fumantes.


"PLANO CONTRA O DESEMPREGO"
O governo federal criou na semana passada, por meio de medida provisria, o Programa de Proteo ao Emprego (PPE).  uma tentativa de frear as demisses que ocorrem em todos os setores produtivos devido  desastrosa poltica econmica dos ltimos anos. Um conselho formado por ministros escolher quais reas da produo podero aderir ao novo programa. Eis dois pontos em que ele se diferencia da Suspenso Temporria do Contrato de Trabalho, conhecida como Lay-Off. 
PPE
* A empresa reduz a jornada do funcionrio e tambm o seu salrio. Metade da defasagem na remunerao ser coberta pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT)
* A durao  de at seis meses, prorrogveis por mais seis
LAY-OFF
* O empregado  temporariamente afastado e recebe benefcio do FAT limitado a R$ 1.385,91
* A durao  de dois a cinco meses, prorrogveis. Na prorrogao, a empresa, e no mais o governo, paga o benefcio


"A LOUCURA DO "DR. MORTE""
O oncologista americano Farid Fata fraudou diagnsticos de cncer em pelo menos 550 pessoas  dado o falso resultado dos exames, ele tratava ento os pacientes por meio de quimioterapia com o intuito criminoso de ganhar dinheiro. Segundo o FBI, dessa forma acumulou US$ 225 milhes. Na semana passada, um tribunal de Detroit comeou a ouvir os espantosos relatos das vtimas  nenhuma  portadora de cncer e todas esto gravemente debilitadas em decorrncia da quimioterapia. A promotoria pediu que Fata seja condenado a 175 anos de priso. Ele tambm  acusado de matar um paciente: para receber alto pagamento, aplicou-lhe 94 vezes uma medicao cujo limite  de oito doses..


"COMPOSITOR PEDE PERDO POR TER FEITO MSICA PARA LULA"
Se arrependimento desse ccegas, o compositor Lzaro do Piau no pararia de se coar. Motivo: ele se diz profundamente arrependido de ter composto para Lula em 2006 o jingle Deixa o homem trabalhar. Lzaro do Piau esteve no final da semana passada na Conveno Nacional do PSDB (que reconduziu o senador Acio Neves ao cargo de presidente do partido), e disse que j se redimiu ao compor jingle para a campanha presidencial de Acio. Desculpou-se por ter composto no passado msica para Lula e declarou: O ser humano comete erros e se levanta. Eu cometi um erro e peo perdo a todos do PSDB.


"SEXO ORAL DUPLICA CASOS DE CNCER NA BOCA"
Maria Paula Curado  uma das mais conceituadas pesquisadoras do Pas e trabalha como epidemiologista em So Paulo no A.C.Camargo Cncer Center. Ela apresenta dados chocantes no campo da sade, no Congresso Mundial da Academia Internacional de Cncer Oral. Os casos desse tipo de enfermidade duplicaram em todo o mundo entre 2001 e 2010, e a faixa etria mais atingida est entre os 30 e 44 anos. Motivo: sexo oral desprotegido, expondo as pessoas ao HPV, o vrus que pode levar ao cncer. A cada 100 mil homens, registram dez notificaes de cncer oral por HPV; a cada 100 mil mulheres, so cinco os casos.


"SOLDADO DO EXRCITO  MORTO NO PALCIO DO JABURU"
O Comando Militar do Planalto confirmou na quarta-feira 8 que um soldado do Exrcito brasileiro foi morto a tiros no Palcio do Jaburu, residncia oficial da vice-Presidncia da Repblica, em Braslia. Ele integrava o Batalha Especial da Guarda Presidencial, e seu corpo foi encontrado a cerca de 300 metros da entrada principal do palcio. Peritos da Polcia Federal declararam que o morte deve ter ocorrido na parte da manh. At a noite da quarta-feira no havia uma concluso para o caso.


"COMO A CRISE NAS BOLSAS PODE AFETAR O BRASIL"
A economia da China, a segunda maior do mundo, est em crise. Seria inimaginvel tal afirmao at pouco tempo atrs em se tratando do gigante asitico que vinha em disparado crescimento, e em maio anunciou investimento de US$ 53 bilhes no Brasil. Nas trs ltimas semanas, no entanto, as bolsas chinesas caram 30% e afetaram as commmodities  apenas na quinta-feira 9 as relacionadas ao minrio de ferro caram 11,3%. A turbulncia teve incio depois que milhes de chineses da classe mdia adquiriram aes por meio de emprstimos, sonhando com ganhos imediatos que no aconteceram, e passaram ento a vend-las a baixo preo. H risco de forte reflexo na j combalida economia brasileira: os investimentos podem ficar comprometidos e a exportao de minrio de ferro, prejudicada.


"DE CINEMA, ELE GOSTAVA. CARTEADO, ELE AMAVA"
Omar Sharif foi o primeiro ator rabe a conquistar fama mundial. Recebeu uma indicao ao Oscar em 1962 por sua atuao como coadjuvante no fi lme Lawrence da Arbia e ganhou dois Globo de Ouro. Tornou-se inesquecvel como protagonista de Doutor Jivago, Funny Girl e A Voz do Sangue. Omar Sharif (nascido em Alexandria com o nome de Mihel Shalhoub) adorava cinema. Mais que isso, no entanto, amava jogos de cartas (escreveu livros sobre esse tema) e chegou a declarar que se pudesse teria passado a vida numa mesa de carteado. Em 2005, aos 73 anos, lhe tornou-se visvel a primeira manifestao de Alzheimer quando agrediu um manobrista sendo ento encaminhado a tratamento psicoterpico por determinao da Justia (desde ento a enfermidade seguiu o seu curso). Omar Sharif morreu no Cairo na sexta-feira 10, de parada cardaca, aos 83 anos.


"HAITIANOS DENUNCIAM EXTORSO NA EMBAIXADA DO BRASIL"
Haitianos afirmaram na semana passada que, na maioria das vezes, eles emigram de seu pas para o Brasil valendo-se dos servios clandestinos dos coiotes. Motivo: quando procuram o caminho legal estariam sendo extorquidos por funcionrios da embaixada brasileira na cidade de Porto Prncipe  segundo os denunciantes, tais funcionrios pedem propina para fazer a documentao, sobretudo quando elas envolvem filhos menores de idade. O Itamaraty declarou que j averiguou denncias similares mas nada se comprovou contra brasileiros que trabalham no Haiti.


"90% DAS NOTAS DE REAL TEM VESTGIOS DE COCANA"
Pesquisa indita da Universidade Federal Fluminense constata: h vestgios de cocana, imperceptveis a olho nu, em 90% das cdulas de real que esto em circulao no Rio de Janeiro. O estudo chama a ateno para dois pontos: h um elevado nmero de dependentes que fazem canudos com as notas para aspirarem a droga. O contato inevitvel entre cdulas, nos bancos e nos caixas eletrnicos, abre caminho para que a nota suja contamine outra limpa.


"NO BASTA AMPLIAO DE VISTOS"
O Brasil vai triplicar o nmero de vistos concedidos aos imigrantes do Haiti  estima-se que 60 mil haitianos tenham entrado pelo Acre nos ltimos cinco anos. A iniciativa  boa porque ajuda a combater o trfico de pessoas no pas de origem. No basta, no entanto, a ampliao de vistos. O Brasil acerta em acolher humanitariamente os estrangeiros, mas polticas sociais devem ser implementadas. Caso contrrio teremos, em breve, considervel nmero de imigrantes empurrados para a marginalidade.


"53,4 BILHES"
53,4 bilhes de milhas em cartes de crdito foram perdidas pelos brasileiros no ano passado. Os pontos acumulados em programas de recompensa expiraram por falta de uso. O valor inutilizado equivale a 24% da pontuao acumulada em 2014. Os dados foram revelados na tera-feira 7 pelo Banco Central.

